Vítor Sardinha dará conferência sobre “A Madeira e o Swing Jazz”

O Museu Quinta das Cruzes, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direcção Regional da Cultura, recebe, esta quarta-feira, dia 25 de Fevereiro, a partir das 15 horas, uma conferência sobre “A Madeira e o Swing Jazz”. A conferência será proferida por Vítor Sardinha e destina-se ao público em geral, com entrada livre, refere a SRTAC.

O conferencista recorda que “podemos encontrar no Funchal dos anos 20, um conjunto de atividades musicais representativas do Jazz (quer através da música instrumental ou da música vocacionada para a dança) das suas variantes e estrutura formal. Os casinos Vigia, Pavão, Monumental e Vitória ou o Cabaré Tivoli, abertos todos os dias do ano, ao longo das décadas de 20 e 30, com orquestras publicitadas na imprensa regional, faziam a noite da Ilha ser mais longa e mais animada. A quem se dirigiam essas práticas e animação? Esse será o nosso ponto de partida na conferência A Madeira e o Swing Jazz”, revela.

Segundo relata, “os espaços com música ao vivo, durante o jantar e depois deste, não se cingiam aos referidos casinos. O Ritz Café, o Kit Kat ou o Theo’s bem como os Hotéis Savoy e Reid’s, apresentavam as suas atividades, utilizando algumas expressões em língua inglesa como «Dance Orchestra», «Jazz Band», explicitando ainda o nome dos seus artistas: «Abreu’s Dance Orchestra», «Bean Dance Orchestra», «Royal Dance Orchestra», «Café Ritz Jazz Orchestra», «Jazz Amaral Orchestra» ou «The Swing Madders Jazz Orchestra». Estas designações muito utilizadas, pressuponham em nosso entender, não só o repertório tocado (danças americanas, repertório da Broadway, géneros latino americanos) com ‘’improvisação’’ e ‘’repentismo instrumental’’, mas também, o instrumento de acompanhamento rítmico que incorporavam estes ensembles musicais – a Bateria de Jazz, em expansão nos anos 20 e 30. Nesta área do espetáculo noturno da cidade do Funchal, destacar-se-iam ao longo do tempo vários músicos. Numa vertente designada por muitos como Swing Jazz, vocacionada para o momento de dança, o show e a improvisação, os anos 20 e 30 numa primeira fase da manifestação artística, trazem-nos os nomes de Carlos Veríssimo, Libertino Lopes, Tony Amaral e Alberto Amaral, irmãos, que se encontravam a tocar juntos, no Hotel Bela Vista, em 1941. A grande maioria destes profissionais da música, faziam-no em contexto de prática autodidata, sem escola formal, apenas com a audição atenta dos discos dos grandes mestres do Jazz (americano, inglês e francês), alicerçada nas muitas horas de atuação diária, nos hotéis, casinos, cabarés e cafés-concerto do Funchal. Ver e ouvir outros músicos a tocar, como por exemplo, as orquestras de bordo dos navios que estavam de passagem e se apresentavam, de forma não formal, nalgum dos espaços de música ao vivo da cidade. Muitos instrumentos, partituras e discos eram comprados e trocados, nestas tertúlias entre músicos locais e visitantes. A BBC Rádio, com transmissão diária captada na Madeira, passava no seu horário noturno (a partir das 21:15) muitas orquestras e cantores da Inglaterra e dos Estados Unidos da América. Todos os hotéis tinham uma ‘’Sala da Rádio’’, onde se escutava as notícias do mundo intervaladas com momentos musicais. Testemunhos, como o de Carlos Menezes, confirmaram que nos intervalos musicais do grupo, no Hotel Bela Vista, era na Sala da Rádio que o Conjunto de Tony Amaral ouvia pela primeira vez as grandes orquestras e os músicos mais famosos (1942 – 1944). Sendo Portugal um país neutro, face à II Guerra Mundial, era possível adquirir os novos discos, encomendados estes por Fred Jones (o diretor do hotel) a uma casa de discos em Londres. O «Flamingo» e o «Solar da Dona Mécia» foram outros dois espaços, com música deste género e estilo, nos anos 40. Quanto aos músicos, no âmbito mais geral, os nomes de Tony Amaral, Zeca da Silva, Hélder Martins, Rui Afonso e Tony Amaral Júnior, são os mais mencionados, numa lista que abrange diferentes décadas e um género musical: o Jazz. O guitarrista Carlos Menezes, figura incontornável da guitarra elétrica em Portugal, do Hot Clube em Lisboa e da Orquestra de Jazz de Jorge Costa Pinto, está também nesta primeira seleção. A lista engloba ainda todos os que com eles partilharam o palco ao longo de anos. A Madeira teve (quanto ao género, prática musical e pioneirismo do Jazz em Portugal) um núcleo de instrumentistas fundadores desta cultura musical”.

A conferência “A Madeira e o Swing Jazz” abordará também, em pano de fundo, dois músicos de duas gerações diferentes, Tony Amaral e Tony Amaral Júnior, pai e filho, dedicados a esta área da música universal. Será ainda mencionada a primeira tentativa de abertura de um clube de Jazz na Madeira (1956), com o apoio de Luiz Villas-Boas e, o Madeira Jazz Club (1987) um espaço de referência na noite musical do Funchal. Em destaque, neste último assunto, dois músicos promotores desta ideia: Tony Amaral Júnior e Humberto Fournier e ainda, enquanto sócio-gerente, o saudoso Jorge Martins. A partir deste primeiro alicerce foi possível sonhar com um Curso dedicado a esta cultura, gravar exclusivamente dentro desta área musical e, criar um Festival Internacional de Jazz na Madeira.

A conferência desta quarta-feira incluirá um documentário, da autoria do musicólogo Paulo Esteireiro, para a  RTP-Madeira.


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