
Há muitos anos o ditador espanhol, Francisco Franco, adiantou o fuso horário da Espanha em uma hora. Isto aconteceu em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, para se alinhar com a Alemanha Nazi. Essa mudança, embora inicialmente feita para ser temporária, nunca foi revertida, fazendo com que a Espanha ficasse permanentemente no mesmo fuso horário da Europa Central (UTC+1) em vez do fuso de Greenwich (UTC+0), como a sua geografia indicaria, e assim afastando-se de Portugal. Ainda hoje segue a hora de Berlim.
Paradoxalmente, foi com o fim da ditadura em Portugal que o Arquipélago da Madeira e Lisboa passaram a seguir o mesmo fuso horário (UTC/GMT) e as mesmas mudanças de hora. Até 1976 não era assim. Foi nesse ano que a Madeira acrescentou uma hora ao seu fuso horário.
É uma surpreendente marca da nossa autonomia. Com ela passámos a regular o tempo pela bitola de Lisboa. O povo não se queixa pelo facto de passar o Inverno a acordar quando o Sol ainda dorme. O silêncio que se aprende nas ditaduras leva muito tempo a quebrar, assim como o hábito do desconforto. Parece que falta alguma coisa, quando tiramos a pedra do sapato, aquele com o qual caminhámos tantos anos.
Seria programático celebrar os cinquenta anos da Autonomia da Madeira recuperando o tempo que já foi nosso, voltando à hora que nos pertenceu, para de novo regular a nossa vida comum.
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