ALRAM acolheu lançamento de nova edição da “Insulana”, anotada por Nelson Veríssimo

Fotos: Rui Marote

O Salão Nobre da Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM) encheu-se hoje para o lançamento da “Insulana” de Manuel Tomás, na edição anotada de Nelson Veríssimo.

O historiador, académico, investigador e colaborador opinativo do Funchal Notícias acalentava já há muito tempo o projecto desta edição. Nomeadamente, segundo deu conta, já desde os anos 90.

Acabou por concretizar a sua ambição de protagonizar uma reedição deste poema épico de Manuel Tomás, que está para os madeirenses como “Os Lusíadas” estão para a realidade nacional portuguesa, neste ano de 2025.

A obra foi publicada pela primeira vez em 1635 em Antuérpia e Ruão. A sua apresentação esteve a cargo da professora Cristina Pinheiro, da Faculdade de Artes e Humanidades da UMa.

Na oportunidade, os actores António Plácido e Celina Pereira protagonizaram um momento de declamação de excertos deste poema épico.

A ocasião contou com a presença de membros do Governo, além da presidente da Assembleia Legislativa

A abrir a sessão, a presidente do parlamento regional, Rubina Leal, salientou a qualidade desta “grande epopeia de Manuel Tomás”, agora “novamente dada a conhecer através da edição coordenada pelo professor doutor Nelson Veríssimo”.

“Este momento representa não apenas a apresentação de um livro, mas o reencontro com uma obra”, disse, que faz parte do núcleo essencial da história literária da Madeira. “Manuel Tomás ocupa um lugar de relevo no panorama intelectual do séc. XVII ligado ao arquipélago. Intelectual de elevada sensibilidade, soube conjugar a narração histórica com a elevação estética da poesia épica”.

“Na Insulana”, explicou, “a Madeira surge não apenas como cenário, mas como verdadeira protagonista (….)”. Razão para que esta obra seja um testemunho precioso da forma “como a ilha se afirmou no contexto histórico atlântico” e evoluiu no âmbito da modernidade portuguesa.

Por seu turno, a docente Cristina Pinheiro disse que a “Insulana”, de Manuel Tomás, como muitas outras obras esquecidas da língua portuguesa, é merecedora de mais atenção. “Ainda bem que está agora disponível numa edição moderna e cuidada”, realçou. Nesse sentido, considerou positivo o ressurgimento do interesse pela obra de Manuel Tomás e considerou “magnífica” esta edição da responsabilidade de Nelson Veríssimo, empreendida já depois da aposentação de Veríssimo da Universidade da Madeira e que se traduz num “trabalho ciclópico de leitura, edição, revisão, investigação e comentário”.

A introdução, apontou, “é um estudo acuradíssimo que dá ao leitor os fundamentos necessários para uma leitura contextualizada da “Insulana”. Todo o livro reflecte um trabalho “que poucas pessoas poderiam fazer”, com “uma especial atenção ao pormenor, a sapiência e o espírito crítico das notas, mas sobretudo a humildade do investigador perante o insolúvel e sobretudo, a paixão que se percebe desde a primeira linha da introdução”.

Por seu turno, Nelson Veríssimo agradeceu aos que mais directamente contribuíram para este evento e para a apresentação da obra. “Chegar aqui e ver concretizado um projecto há muito acalentado, é um momento especial (…)”, confessou.

Agradeceu especialmente a Rubina Leal permitir a apresentação da “Insulana” no Salão Nobre da ALRAM, pois, conforme explicou, aquele espaço era familiar ao poeta Manuel Tomás, autor da epopeia, assíduo frequentador do edifício que era, na altura, a Alfândega, a Provedoria da Fazenda e o Almoraxifado.

“O poeta era também homem de negócios e intérprete de línguas estrangeiras, muito útil e sempre presente nas transacções internacionais. Conhecia bem este edifício, hoje adaptado à dignidade maior da autonomia regional”, contou Veríssimo. Por outro lado, a “Insulana” é a epopeia do povo madeirense, e que melhor lugar para a apresentar, do que a assembleia representativa da vontade livremente expressa por madeirenses e porto-santenses?, questionou.

Agradecendo a Cristina Santos Pinheiro a sua “magnífica” apresentação, deixou também palavras de apreço à Direcção Regional do Arquivo e Biblioteca da Madeira, à Biblioteca Municipal do Funchal, e à Biblioteca Nacional, por todo o apoio prestado nas consultas bibliográficas necessárias.

A Anabela Gomes, agradeceu ter encarnado a personagem de um leitor comum, de língua e cultura mediana, e ter assinalado todas as palavras e expressões na Insulana que requeriam nota explicativa, o que implicou uma leitura exaustiva do poema.

Deixou ainda agradecimentos ao seu filho e a outras entidades, académicas ou não, que colaboraram de uma ou de outra maneira com a edição, inclusive a equipa da Imprensa Académica, responsável pela edição, e os actores que no lançamento leram excertos do poema épico.

No meio de múltiplos agradecimentos, um se destacou: o agradecimento ao amigo Jorge Valdemar Guerra, pelos seus “sempre úteis esclarecimentos e comentários”, salientando o seu “profundo conhecimento de história da Madeira”.

A obra foi apresentada pela professora Cristina Pinheiro.

A reedição da “Insulana” foi, desde a aposentação de Nelson Veríssimo da UMa, o seu trabalho diário, ou melhor, o seu bálsamo, “sempre convicto da validade e importância do projecto”, para os estudos literários da Madeira, confessou.

“Procurei estes anos trabalhar afincadamente, sem pressa”, afiançou. “Cabe ao leitor, sobretudo ao perito, avaliar criticamente a edição. Como pedra angular da identidade regional, espero que a Insulana seja lida e estimada”, desejou o orador.

“A Insulana aborda em particular, o descobrimento do arquipélago da Madeira, pelas viagens de Machim e de Zarco”, mencionou. “(…) A visão de Manuel Tomás sobre a Madeira é marcada pelo sucesso e a prosperidade”, acrescentou o historiador.

Deu conta ainda do desencanto de Manuel Tomás pela falta de reconhecimento do seu trabalho, por resgatar do esquecimento a História da Ilha. “Antevia contudo o poeta que depois da sua morte o seu mérito havia de ser reconhecido”, referiu. Hoje, é uma epopeia que “honra os madeirenses, e perpetua a sua memória”.


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