Freguesias da Madeira: Canhas

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE, CANHAS. FOTO: ANABELA GOMES, OUT. 2025.

Nelson Veríssimo

O alvará régio, de 30 de janeiro de 1577, conferiu ao bispo do Funchal a faculdade de criar a paróquia dos Canhas, desagregando-a da Ponta do Sol. Não sabemos quando foi definitivamente constituída, mas já existia em 1581.

A sua primeira sede foi a Capela de Sant’Iago, traçada por João Gonçalves Zarco. Contudo, em 1593, temos notícia da existência de uma igreja paroquial dedicada a Nossa Senhora da Piedade.

ALTAR-MOR DA MATRIZ. FOTO: PARÓQUIA DOS CANHAS.

Por diversas vezes, veio este templo a ser reedificado, sendo bastante danificado pelo terramoto de 1748.

O topónimo ‘Canhas’ provém do sobrenome do primeiro povoador desta localidade, João do Canha, que, nos meados do século XV, ali se estabeleceu.  O seu filho, Rui Pires de Canha, era proprietário de uma fazenda de canas-de-açúcar. De “terras dos Canhas” depressa passou a “Canhas”.

No litoral desta freguesia, localiza-se o sítio denominado, nos dias de hoje, ‘Anjos’, topónimo que remonta ao início do povoamento da ilha. De facto, na primeira metade do século XV, alguns frades franciscanos fixaram-se neste lugar ermo e ergueram uma capela dedicada a Santa Maria dos Anjos. Primitivamente, pertencia à freguesia da Ponta do Sol.

MONUMENTO A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS. FOTO: ANABELA GOMES, OUT. 2025.

O bem conhecido monumento a Santa Teresinha do Menino Jesus, nos Canhas, foi mandado construir por D. Matilde Amália da Trindade Cabral de Noronha e o seu marido, Francisco Cabral de Noronha. A bênção da primeira pedra ocorreu no dia 17 de outubro de 1954, sendo a inauguração em 31 de maio de 1964, enquadrada no programa das celebrações do «28 de maio», data fundadora da ditadura que perdurou em Portugal até à «Revolução do 25 de abril».

O projeto escultórico é da autoria de Anjos Teixeira. A escultura, no arco central, é obra de José Ferreira Thedim. Para o Calvário, culmina a Via-Sacra ao longo da estrada regional.

Este monumento de fé foi construído com a contribuição dos promotores da iniciativa, população local, emigrantes, Câmara Municipal da Ponta do Sol, Ministério das Obras Públicas e de outras entidades religiosas. Pelo seu destaque na paisagem dos Canhas e afetos religiosos da população, está representado no brasão da autarquia.

Apesar de predominar a paisagem agrícola, com significativa cultura da cana-de-açúcar, têm sede, nesta freguesia, a maior parte das empresas do concelho da Ponta do Sol.

RELÓGIO DE ÁGUA DA LEVADA DO POISO, DE 1890.

No sítio da Levada do Poiso, encontra-se um relógio de água, de finais do século XIX, que foi classificado pelo Governo Regional da Madeira em 1998, com a categoria de valor local. Servia para gerir, de forma eficiente e justa, a distribuição da água pelos diversos regantes. É um raro e bem conservado exemplar deste tipo de arquitetura civil de equipamento, na Madeira dos nossos dias.

Segundo os ‘Censos de 2021’, a freguesia tinha 3597 habitantes, isto é cerca de 59,5 da população de 1930 (6047).

O Recenseamento Eleitoral, de 31-12-2024, regista 4387 eleitores nacionais, 2 da União Europeia e 3 outros cidadãos estrangeiros residentes.

BRASÃO DA FREGUESIA DOS CANHAS.

Heráldica da freguesia: Armas – Escudo de prata, três arcos de volta perfeita, de púrpura, lavrados de ouro, alinhados em faixa, o central contendo a cruz do Calvário assente em três degraus; em chefe, sol de vermelho e em ponta, três burelas ondadas de azul e prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro em maiúsculas: “CANHAS – PONTA DO SOL“. (Diário da República, n.º 275, 3.ª Série, Parte A, 28-11-2000).

 


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