BE alerta para pobreza no Funchal e necessidade de apoio às populações

foto Rui Marote

O custo de vida e o combate à pobreza estiveram hoje no centro das preocupações do Bloco de Esquerda, sendo temas abordados no decurso da sua campanha às próximas eleições autárquicas. O BE, que concorre ao Funchal e a Santa Cruz, diz que o seu trabalho é feito ao longo do ano, sendo um “trabalho de proximidade”, elucidando as pessoas sobre quais devem ser as competências dos órgãos autárquicos e sobre quais são as propostas do Bloco em particular.

De acordo com a coordenadora Dina Letra, o custo de vida é muito elevado no Funchal, tendo-se verificado um grande aumento em bem essenciais nos últimos 3 anos. Uma situação que se estende a toda a Madeira e que é superior ao que acontece no continente, asseverou.

“Os salários não acompanharam esse aumento preocupante”, declarou. Numa altura em que a CMF tem receita fiscal extraordinária de milhões de euros, “não podemos permitir que ainda haja no Funchal quem passe fome”, apontou.

O BE promete ter uma actuação na CMF de apoio às populações. “Sabemos que as câmaras não têm competência para intervir a nível de salários, a nível de aumentos das reformas – isso é uma mudança estrutural que é importante fazer, e que devia ser feita pelos governos – mas pode dar apoios à população”.

Dina Letra acha que deviam ser revistos os índices dos programas de apoio que já existem. “É necessário subir os índices pelos quais se regem os regulamentos, para abranger mais pessoas”, defende.

“Há muitas pessoas que recebem o salário mínimo, ou mesmo um pouco acima, e não conseguem pagar todas aquelas que são as suas despesas. O custo de vida é tremendo, o custo de habitação é tremendo… e ficam sempre fora desses apoios”.

Dina Letra defende uma conjugação de esforços de várias entidades, no sentido de haver uma estratégia local de combate à pobreza.

A mesma responsável diz que há ainda pobreza escondida: as pessoas têm vergonha de dar a cara. Pelo que preconiza uma linha de apoio de emergência, a quem precise de recorrer a situações de emergência alimentar.

A habitação é outro grave problema, que tem uma sobrecarga grande no orçamento familiar. Há um grande “boom” económico que toda a gente diz ver, refere, mas isso não se traduz na realidade das pessoas que vivem fora do centro ou da parte turística da cidade, nas periferias. Ora, com a receita fiscal extraordinária que a CMF está a obter dos funchalenses, o Bloco considera inaceitável que não consiga “reverter parte desse valor para ajudar quem de facto precisa”.


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