Confiança sugere auditoria forense na CMF aos projectos urbanísticos deste mandato

Na reunião de Câmara Municipal do Funchal realizada hoje, os vereadores eleitos pela Confiança votaram contra duas propostas de urbanismo que, uma vez mais, representam a subversão consciente do Plano Director Municipal do Funchal (PDMF) pelo actual executivo PSD/CDS, oferecendo um piso adicional a projectos imobiliários, segundo afirmam.
A primeira proposta dizia respeito à alteração dos parâmetros urbanísticos de um loteamento na Rua Quinta do Leme, em Santo António, onde o limite de 9 metros de altura máxima de fachada foi ultrapassado até 10,8 metros. Apesar de o artigo 42.º do PDM prever, em situações muito específicas e devidamente fundamentadas, a possibilidade de exceção, a realidade é que esta prerrogativa foi usada sem a devida justificação técnica, resultando numa volumetria desajustada e com impacto negativo na harmonia urbanística e paisagística da zona.
A segunda proposta, referente a um Pedido de Informação Prévia no Beco dos Vimeiros, contemplava a construção de 78 fogos, distribuídos por dois blocos habitacionais, numa densificação claramente excessiva para a freguesia de Santo António. Também aqui se verificou a aplicação abusiva do mesmo artigo 42.º, permitindo pisos em desconformidade com o espírito regulador do PDM. Para além da sobrecarga evidente nas acessibilidades e infraestruturas locais, esta aprovação traduz-se numa barreira arquitetónica em área de risco moderado, com consequências sérias para o equilíbrio urbanístico, social e ambiental do concelho, afiança a “Confiança”.
A Confiança lamenta que este mandato tenha sido marcado por violações reiteradas e conscientes ao PDM, que deveria ser o garante de um desenvolvimento equilibrado e sustentável do Funchal. O que assistimos, ao invés, é a uma prática ardilosa e pouco transparente por parte do executivo PSD/CDS: recorrer sistematicamente a um artigo excepcional do regulamento urbanístico — previsto para harmonizar a inserção em áreas consolidadas — para oferecer pisos adicionais, alguns em zonas sem qualquer edificado na envolvente, favorecendo promotores privados e alimentando a especulação imobiliária.
Os vereadores da Confiança reafirmam que o urbanismo municipal deve servir o interesse público e a qualidade de vida das populações, e não ser transformado em moeda de troca eleitoralista ou em instrumento de especulação.
Por isso mesmo, a Confiança sugere que o próximo executivo municipal, que será eleito no próximo mês, promova uma auditoria forense independente a todos os processos urbanísticos aprovados neste mandato, de modo a apurar responsabilidades, identificar práticas abusivas e repor a confiança dos funchalenses na gestão do território.

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