1 2 3 vou aprender outra vez

E assim se fecha mais um verão. Os recomeços são uma forma de um novo fim. Pé ante pé as famílias “arrumam as trouxas” do verão e preparam freneticamente a lista escolar para o início do ano letivo.

A vida é uma grande jornada de aprendizagem e crescimento que acontece de forma contínua em todos os momentos vividos.

A tendência de transformamos tudo, de empacotarmos a vida em caixas e em códigos limita-nos a ser pessoas que questionam e principalmente a ser mutáveis.

Acredito que todos nós aprendemos ao ritmo do batimento cardíaco 50 a 90 batimentos por minuto, dizem os especialistas que é a normalização do ritmo cardíaco. Pois bem, a aprendizagem acontece no meio e contexto escolar mas não deixa de ocorrer na época das férias, aliás, muito pelo contrário…. Ora vejamos… na nossa génese logo após o parto o bebé aprende sozinho a se adaptar do meio intra-uterino para o meio extra-uterino. Todos nós iniciamos a caminhada neste mundo, na mesma linha de partida, na zona de desconforto. Cada criança tem o seu tempo de aprendizagens. Existe uma referência padrão e temos crianças naturais. Observa-las e ensinar as aprendizagens com tempo, certamente é essencial e o tempo será diferente de criança para criança. O mais importante que podemos fazer… é ouvir, observar e adaptar. Porque a infância não é uma corrida para ver quem chega primeiro à meta. Cada criança tem o seu ritmo, mais cedo não significa melhor.

A criança se não respirar bem, não vai comer bem, não vai dormir bem, não vai falar bem, não vai aprender de forma harmoniosa nem viver com qualidade de vida. A aprendizagem será adquirida infelizmente com compensações. E mais tarde a fatura será paga. Verificadores de factos ou se preferir, caro leitor, ministério da verdade.

A velhinha frase “Deixar passar algum tempo” é sinónimo de quem espera pagará valores altos.

Relembrar, este Setembro, a adaptação deverá ser acompanhada com presença e empatia ao respeitar as necessidades emocionais da criança. Porque uma criança que não é acolhida pela aldeia irá queimá-la para sentir o seu calor… o que chamamos vulgarmente de “birra”.

Os adultos do amanhã foram as crianças do ontem e das nossas escolhas ou consequências das escolhas. Não se esqueça caro leitor, vivemos numa sociedade diferente de outrora vivemos numa sociedade que corre, que exige e que mede tudo em produtividade…. Mas o nosso corpo, o nosso coração, a nossa presença têm outro tempo. Não estamos a viver no nosso ritmo natural. E quando vivemos em piloto automático, sem tempo para sentir nem cuidar… as crianças são as primeiras a acusar.

Seja época de férias ou escolar, faça sol ou faça chuva, as crianças precisam de brincar na rua, correr, apanhar sol, saltar em poças, andar à chuva e explorar a natureza são essenciais para o crescimento saudável. O contacto com o exterior fortalece o corpo, estimula a criatividade e de desenvolve competências básicas. Para todos nós, agentes educacionais não liguemos o “complicómetro”. Deixemos as crianças brincar. Vamos proporcionar experiências e incentivar os mais pequeninos a viverem menos nos ecrãs e mais na vida real, lá fora, ao ar livre.

Bem vindo Setembro vou continuar a aprender.

Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial

 

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