Rui Marote
Esta é uma verdadeira história para contar aos netos. Era uma vez uma Associação Madeirense para Socorro no Mar, uma Instituição de Utilidade Pública sem fins lucrativos, cuja origem remota a 4 de Dezembro de 1985.
A inexistência de uma instituição vocacionada para o socorro a náufragos na Região Autónoma da Madeira e o crescendo de diversas actividades em meio aquático levou, por iniciativa dos Escuteiros Marítimos, à abertura de uma delegação regional do SANAS-Corpo Voluntário de Salvadores Náuticos.
A 31 de Janeiro de 1996, sob decisão da Comissão Instaladora e de alguns sócios, formou-se o SANAS Madeira, obtendo a designação de Utilidade Pública em
Outubro do mesmo ano.
Em 2003 adquiriram duas lanchas Arun (preço de uma) em segunda mão à Royal National Life Boat, uma instituição no Reino Unido. As embarcações têm 16.50 metros de comprimento, 5.43 m de de boca e 30 toneladas de arqueação bruta.
Equipadas com dois motores Caterpillar de 500 cv cada uma, podem atingir uma velocidade máxima de 18 nós. São lanchas que chegaram à Madeira ainda com nomes ingleses. Na altura em que vieram, os órgãos de informação foram convidados a efectuar o trajecto marítimo Canárias-Funchal a bordo das mesmas. Estes dois barcos chegaram a Canárias em navio porta-contentores. Mas depois vieram para a Madeira por seus meios próprios e com jornalistas a bordo.
Até aqui tudo normal. Mas a verdadeira “história” começa agora e arrasta-se até os dias de hoje. Era então comandante da Zona Marítima da Madeira e da Capitania do Porto do Funchal Roberto Figueiredo Robles, que muita tinta fez correr nos órgãos de informação da Região e de Portugal Continental.
Robles quis medir forças com os órgãos próprios da Região em especial com o presidente do Governo Regional Alberto João Jardim. Segundo acusou o governo regional, Robles “criou conflitualidades sem procedentes na história constitucional do regime autonómico, indiciando a maior falta de respeito pelos direitos e competências, personalidades e símbolos das instituições regionais da Madeira”.
O Governo Regional emitiu um voto de protesto contra este Capitão de Mar e Guerra dando conhecimento ao presidente da República, Jorge Sampaio, e ao Ministro da Defesa, Paulo Portas.
Robles enquanto aqui esteve recusou-se alegadamente a hastear a bandeira da Região no edifício da Capitania, e impediu a actuação do SANAS em acções de de socorro e náufragos, designadamente praias sustentando ser essa uma competência atribuída à Marinha.
Acabou por ser substituído por Ramos Gouveia e passou à reserva.
Mas Roberto F. Robles não ficou por aqui e dirigiu uma carta aberta a Alberto João Jardim sobre a sua experiência durante os 34 meses em que exerceu funções como autoridade marítima na região.
Intitulou-se “militar de Abril” e que disse que foi insultado de “colonialista”, “indisciplinado”, “desrespeitador” e alegou que os acontecimentos verificados “constituíram para os madeirenses mais atentos uma prova cabal” dos meios empregados pelo Governo Regional, “para fins pouco claros, a qualquer preço e sem qualquer pudor”.
Finalmente , disse: “sr. dr. Jardim, por muito que lhe custe, ficou evidente que a cultura do medo não me envolveu nos seus braços: contudo curvo-me respeitosamente, isso sim, perante aqueles que, vivendo o quotidiano nessa região, ousam fazer da sua veracidade um hino de à coragem e à esperança de virem a usufruir a autonomia na verdadeira plenitude”.
Estivemos debaixo do aeroporto no mês de Agosto e fotografámos as duas lanchas do SANAS que ali se encontram. Uma delas, a denominada Ryan Wins, continua a tratar de ser legalizada há 22 anos mas já está devidamente recuperada (novinha em folha) para entrar em acção nos mares da Madeira.
O FN sabe que o seu novo nome será “Guardião dos Mares”. Esperemos que entre em acção depressa. Já chega deste “castigo”… “Barco varado é barco parado”.
Já a outra lancha, já com o novo nome, “Salvador do Mar” e em recuperação desde finais de 2023, deverá estar já operacional no final deste ano.
Que as sinergias de grupo entre a Marinha e o Sanas possam ser uma realidade, e que ambos deem as mãos, já que todos os meios de socorro que existam são poucos.
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