A candidata independente do Juntos Pelo Povo (JPP) à presidência da Câmara Municipal do Funchal prometeu este sábado que se a 12 de Outubro a população a eleger para governar a cidade, “eu própria empenhar-me-ei para que o Funchal tenha pelo menos mais uma cadeia de supermercados, para baixar o preço dos alimentos”.
Fátima Aveiro falava no decurso de uma acção de pré-campanha no Funchal, desenvolvida precisamente à porta de uma conhecida cadeia de hipermercados.
“O custo de vida no Funchal, e de um modo geral na Madeira, está transformado numa profunda dor de cabeça para as pessoas, as famílias, mas eu não vou contemporizar com o pacto de silêncio entre a actual vereação da Câmara do Funchal e Governo Regional, que, articulados, evitam falar deste grave problema, e nós conhecemos algumas das razões porque o fazem.”
A candidata referiu que “nesta matéria, a falta de coragem política de quem está na Câmara e no Governo é verdadeiramente intrigante”. Diz que “o mercado tem de funcionar de forma livre, mas quando o mercado é controlado por quem está no poder, impedindo ou criando dificuldades a quem quer entrar no mercado, isso tem outro nome, que não é mercado, é proteccionismo, e não contem comigo para isso”.
Fátima Aveiro escusa-se a dar exemplos desse controlo da economia “em algumas aéreas conhecidas que comprovadamente encarecem o custo de vida”, mas pergunta: “Se há uma cadeia alemã que desde 2023 anunciou que vinha para a Madeira, até fez investimentos nesse sentido e continua sem abrir as lojas anunciadas, é porque estão a ser criadas dificuldades, ou então a Câmara e o Governo que se dignem a explicar o que se passa, é uma obrigação de quem governa”.
A candidata independente cabeça-de-lista do JPP à autarquia do Funchal, entende que mais uma cadeia de supermercados “é uma forma de fomentar a concorrência que, de forma directa e no imediato, permitirá às famílias acederem aos alimentos a um preço mais baixo”.
“Vou esgotar todas as possibilidades para que isso seja uma realidade”, garante Fátima Aveiro. “É um contributo justo da autarquia para ajudar a aliviar o orçamento das famílias nos bens essenciais.”
Apoiando-se em dados oficiais, lembrou que no relatório do Eurostat, publicados a 18 de Julho deste ano, Portugal está na terceira posição entre os 27 Estados-membros da União Europeia, onde comprar alimentos é mais caro.
Fátima Aveiro diz que a estatística europeia se refere ao país e, portanto, não tem em consideração que o custo de vida na Região é entre 20% a 30% mais caro do que no espaço continental.
“Significa que esse terceiro lugar é ainda mais penoso para os funchalenses”, sinaliza, para acrescentar que se sente “incomodada” quando compara os dados do Eurostat com outros números da própria Região. “Sinceramente, fico a pensar como é que alguém pode falar de recordes do PIB com um quadro social tão devastador como o que temos”.
Fátima Aveiro faz notar que não são apenas os salários e as pensões baixas, a habitação a preços inacessíveis, a inflação mais alta do país e uma carga fiscal elevada para o valor dos salários.
A candidata apoia-se no relatório de Caracterização da Pobreza na Madeira, publicado em março deste ano, onde é referido que 1 em cada 4 madeirenses está em risco de pobreza, que 71,2 mil pessoas se encontram em situação de pobreza ou exclusão social e 62,8 mil pessoas têm um rendimento inferior a 591€ mensais.
Mesmo quem trabalha, integra a “lista negra da miséria” havendo 15,7% da população empregada na Região que vive em risco de pobreza monetária, valor apenas inferior à Região Autónoma dos Açores, sendo o maior risco de pobreza registado na Região desde 2018 (são cerca de 20 mil pessoas).
“Peço desculpa, mas eu não vou silenciar estes milhares de funchalenses e madeirenses”, insurge-se a candidata. “Com uma Câmara JPP, o custo de vida e a habitação vão ter respostas concretas, temos a obrigação de rapidamente cuidar melhor dos nossos e dar-lhes uma vida digna, governar para todos e não apenas para os recordes que só beneficiam alguns.”
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