Tutela do Arquivo e Biblioteca indignadíssima com artigo do FN nega qualquer problema

foto arquivo
A tutela do Arquivo e Biblioteca Pública da Madeira ficou aparentemente indignadíssima com o título escolhido para uma nossa reportagem de ontem, em que referíamos que, não estando o sistema de climatização a funcionar convenientemente há algum tempo, poderia existir um risco para a documentação em acervo. Esta mera hipótese mencionada no título “Climatização do Arquivo e Biblioteca da Madeira avariada: documentos em potencial risco” desagradou de tal ordem que a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura (SRTAC), através da Direcção Regional dos Arquivos, Bibliotecas e do Livro (DRABL), resolveu “esclarecer e repor a verdade sobre a notícia publicada pelo Funchal Notícias sob o alarmista e, convenhamos, desinformado título: “Climatização do Arquivo e Biblioteca da Madeira avariada; documentos em potencial risco.”
O esclarecimento prossegue para dizer que a reportagem é “caricata”, narra uma “crise inventada”, é “sensacionalista”, “anedótica” e, basicamente, insinua que somos até obtusos por não termos aparentemente compreendido as claríssimas respostas apresentadas ontem às nossas perguntas. O artigo em questão pode ser consultado no link:
Mas, como diz a DRABL, “Vamos por partes para que ninguém fique com a ideia errada (ou deliberadamente truncada) sobre o que se passa no ABM”:
Afirma a entidade que “Não há risco iminente para o acervo, sendo “no mínimo caricata a tentativa de construir um cenário apocalíptico onde documentos históricos “derretem” em silêncio nos depósitos do ABM”.
“A realidade”, afirma-se, “é simples e factual”:
“• Os depósitos mais sensíveis, como os que albergam milhões de negativos fotográficos, estão perfeitamente climatizados, com sistemas independentes.
• A monitorização constante dos parâmetros ambientais comprova que não existem flutuações significativas de temperatura e humidade, o verdadeiro inimigo da conservação documental.
• Documentos mais sensíveis estão a ser relocalizados selectivamente para zonas com climatização ativa. O que o FN tentou vender como negligência, é, na verdade, gestão preventiva e especializada”, afiançam os responsáveis.
Por outro lado, insistem, “a substituição do sistema de climatização está em curso”.
“Diferente do que se tenta fazer crer, não se está parado à espera de que o ar se mova por fé. O processo de substituição e modernização da climatização do ABM está a ser preparado pela SREI, com base num levantamento técnico rigoroso, iniciado ainda em 2023. O concurso público será lançado em breve, com uma empreitada e inclui, também, reparações estruturais no edifício”.
Acusando o Funchal Notícias de “promover uma crise inventada” e “ignorar os factos”, e de ter optado por “publicar uma peça sensacionalista, ignorando por completo as respostas detalhadas, técnicas e fundamentadas que lhe foram fornecidas pela assessoria da Secretaria e que o próprio jornal cita, mas não parece compreender”, a DRABL não se fica por aqui e diz que até citamos “de forma quase anedótica (…) o site do ABM para explicar princípios básicos de conservação documental — princípios que, adivinhe-se, estão a ser cumpridos com medidas ativas de mitigação e proteção”, prossegue a DRABL no seu registo crítico e irónico para com a aparente ousadia do nosso jornal.
“Se há algo avariado, é o compromisso com o rigor”, afiança a SRTAC, via DRABL, numa reação no mínimo, emocional.
“Uma peça que ignora o contexto de governação em gestão, os constrangimentos legais de contratação pública, a complexidade técnica dos sistemas e o plano de contingência em curso, não é jornalismo, é opinião disfarçada de denúncia.
Num tempo em que a confiança na informação deve ser reforçada com responsabilidade e factos, lamenta-se que o Funchal Notícias tenha optado por alimentar o ruído em vez de esclarecer os leitores”, vêm agora acusar-nos.
De tudo isto, superiores, esclarecem-nos portanto que só uma conclusão pode ser tirada deste imbróglio: é que o ABM “está a ser cuidado”.
“Com técnicos especializados, acompanhamento rigoroso, medidas de gestão aplicadas em tempo real e um plano de reabilitação em marcha. O que não está a ser cuidado, ao que parece, é o compromisso de certos órgãos com a informação factual”. Mais uma farpa que parece revelar claramente o incómodo da tutela com este assunto.
“A cultura da Madeira merece mais do que títulos alarmistas. Merece ser tratada com seriedade, coisa que, garantimos, a tutela continua a fazer”, conclui, olímpica, a tutela do Arquivo e Biblioteca da Madeira, na sua resposta não assinada, não se sabendo, portanto, quem concretamente a redigiu.

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