Rui Marote
Existe uma expressão popular que diz que “o pior cego é aquele que não quer ver” Dizem que esta expressão se originou em França, Nimes, quando em 1647 o doutor Vicent de Paul D’Argent, fez o primeiro transplante da córnea a um aldeão de seu nome Angel. A lenda diz que a operação foi um sucesso para a Medicina da época. Contudo Angel começou a ver o Mundo como ele era, ficando ficou horrorizado com o que via. Disse que o mundo como o imaginava era muito melhor e chegou a pediu ao cirurgião que lhe arrancasse os olhos.
O Estepilha não quer arrancar os olhos a ninguém, “Abrenúncia”. Mas o Funchal, e a Madeira, está atravessar um período da nossa história em que ninguém quer saber de ninguém nem de nada. Apontar erros ou deficiências é pregar aos peixes.
Ninguém quer cumprir regras e a fiscalização e os governantes fecham-se nas quatro paredes dos gabinetes, ignorando o mundo lá fora.
Durante cerca de vinte anos, todos os domingos pelas 09 horas, assistimos, por varias vezes, à proprietária do restaurante “O Arco”, na Rua da Carreira, a lavar o passeio em frente ao restaurante. Com água e sabão dava “banho” à estrada e ao passeio norte, de mangueira em punho. Na altura até lhe dissemos que era candidata a ser galardoada no Dia da Cidade. Hoje o restaurante já não existe e a senhora reformou-se. Uma verdadeira padeira de Aljubarrota.
Vamos a factos: já alertámos mas caiu em saco roto.
Os restaurantes na área da Sé têm as suas esplanadas imundas. As mesmas não conhecem água e sabão desde que foram inauguradas. Os proprietários limitam-se a varrer, ou melhor mudam de roupa mas não tomam banho. Ocupam a via pública como na Rua de João Tavira que há cerca de duas semanas apresenta um novo visual, ocupando não a faixa de passagem, mas o espaço da arcada do ex-Centro João Tavira com cadeiras e mesas. Não sabemos se o proprietário do edifício autorizou ou se se trata de “usurpação” provisória, uma vez que dentro de três meses iniciam-se as obras do ex-edifício Hotel Monte Rosa e Centro de João Tavira.
As fotos dessa nova esplanada são elucidativas: o tecto está tapado com um pano branco em todo comprimento, escondendo as tubagens e as baratas que vêm das canalizações. Todos tem direitos a ver o sol nascer, mas deviam haver regras e bom senso, Estepilha!
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