Estepilha: Palácio de São Lourenço no mesmo caminho do Forte de S. Tiago…

Rui Marote

Já chegámos ao Palácio de São Lourenço! Só é cego aquele que não quer ver. O Estepilha parece que incomoda!? E vai continuar a importunar. O Forte de São Tiago é um monumento sob alçada do Governo da Região. Já aqui denunciámos o avançado estado de degradação em várias reportagens, mas moita, ninguém liga! Agora, o truque das entidades é não dar troco, como diz o Povo.

As muralhas do vetusto Forte de S. Tiago estão como aqueles animais no período da ecdise, a perder todas as camadas de revestimento. A desmoronar-se, literalmente!

Mas, hoje, o nosso grito de alerta é dedicado à Fortaleza de São Lourenço, o Palácio-símbolo do tempo da “Outra Senhora” e do centralismo que o Governo Regional anda há anos a tentar resgatar ao Terreiro do Paço, mas debalde!

Ora, se é para seguir o mesmo rumo, igual ao Forte de São Tiago, é melhor ficar assim. Livra as costas do Governo Regional da crítica e de fazer em S. Lourenço o que tem feito em S. Tiago, ou seja, pouco ou nada. Fica mais fácil criticar o Estado pelo abandono. Mas lembremo-nos que os três monumentos de maior relevo da cidade do Funchal, são a Sé, o Palácio de São Lourenço e o Convento de Santa Clara.

As fotos que ilustram este Estepilha permitem aos leitores tirarem as suas conclusões. Já agora, uns parágrafos de História, não fazem mal a ninguém. O Rei de Portugal D. Manuel I, em 1513, decidiu a construção da Fortaleza de São Lourenço. Durante o período Filipino foram introduzidas importantes alterações. A fortaleza foi transformada em Palácio dos Governadores da Madeira, no século XVIII. A divisão administrativa dos poderes, Civil e Militar em 1836, provocou uma divisão na ocupação física da edificação.

A área a leste, antes à responsabilidade do Governador Militar, encontra-se sob a tutela do Comando da Zona Militar da Madeira. A área a oeste corresponde às principais dependências e salas nobres, antes do Governador Civil. Estiveram em 1976 ligadas ao Ministro da República e a partir de 2004 ao Representante da República na Região Autónoma da Madeira, e hoje esta área é a sua residência oficial.

Resumindo, este é um Palácio a meias, de costas voltadas uns para os outros. A pintura exterior do Palácio estava a cargo dos militares. Faziam-no de escada e balde de cal para “lavar” a cara a este monumento. Mas nunca mais se viu brocha a pincelar aquelas paredes. No entanto, mesmo a “olho nu”, percebe-se que a zona militar está melhor conservada do que a civil. Quem está nas paragens do autocarro, em frente ao Palácio, tem à vista as Fontes de D. Dinis, conhecidas como Fontes de João Dinis, localizadas mais especificamente no sopé da muralha do Palácio de São Lourenço. Construídas em 1490, tinham como objectivo o abastecimento de água à cidade e aos navios que chegavam ao cais do Funchal.

Estepilha, metam isto na cabeça, é a nossa História! Durante as obras da primeira Avenida do Mar, descobriram-se as Fontes, mas foi ordenado que as mantivessem soterradas. Em cima delas, nasceu um jardim, e desta maneira, encerraram a Rua das Fontes. Uma loucura que só foi reposta em 22 de Setembro de 1995.

A manutenção dessa artéria ficou sob a alçada da Câmara. Hoje, é um pasto de cabras (ver fotos). Quanto ao Palácio, área na alçada do Representante, há 1 milhão e 800 mil euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência para um concurso que foi lançado e terminou a 29 de Março do ano em curso. Ontem contactámos o Palácio: fomos informados que os trabalhadores já estão no terreno desde os primeiros dias de Julho. Porém, a recuperação está a ser complicada: os barrotes do tecto estão infestados de formiga branca e o perigo é iminente. As infiltrações de água estão a fazer aparecer muita humidade nas paredes. Tudo é imprevisível e vão aparecendo coisas que não foram previstas no caderno de encargos.

Fazemos votos para que não haja derrapagem… mas há muito para recuperar.


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