Os palavrões, os insultos e o linguajar brejeiro são feios e errados. Dez anos de colégio católico ensinaram-me isso.
Todos nós os dizemos, entredentes ou aos berros. Os outros trinta anos ensinaram-me isso.
Se devem ter lugar na Assembleia Regional? Não devem. Mas isso vale para todos.
O que se passou na última terça-feira na Casa da Democracia não deveria ter acontecido. Ponto.
Mas, como sempre, exagera-se. O insulto não foi direto nem dirigido. E isso tem de contar. Não é por acaso que levei meses a marrar a intenção: a negligência e os diversos tipos de dolo sob a batuta da sui generis Professora Doutora Teresa Beleza. Não é tudo igual. Só quando convém.
Se o microfone não estivesse ligado, ninguém se sentiria insultado. Nem saberiam. É como aquela história da árvore que cai na floresta. Se ninguém estiver lá para ouvir, ela faz barulho?
Mas o que me tem feito dizer palavrões aos berros para dentro e entredentes para fora ainda tem sido outra coisa.
Eu, feminista, me confesso.
Feminista numa aceção muito própria, à margem das correntes feministas históricas – sucedâneas ou simultâneas – todas.
O meu feminismo inventado é daqueles que não aceita que uma mulher violada estivesse a pedi-las porque é uma oferecida.
O meu feminismo inventado não é daqueles em que o que se diz a uma mulher é dito a todas as mulheres. Ridículo.
Se um Secretário Regional diz o que disse sobre duas deputadas, não mo disse a mim nem ao meu género.
Não é machismo, não é misoginia.
Defender o contrário é defender que estão ali, enquanto deputadas, não pelo valor que o seu Partido ou, em última análise quem as elegeu, lhes reconhece mas que ocupam aquelas cadeiras só, ou sobretudo, porque são mulheres.
É assumir que a Lei da Paridade é aquela chatice que obriga a encher chouriços. Será? O meu feminismo alternativo ainda não tem opinião.
Se tivesse sido a um deputado, será que todos os “gajos” madeirenses se sentiriam atacados na sua masculinidade?
Não esvaziem os conceitos, a bem das mulheres, simplesmente porque não dá jeito como arma de arremesso política.
Agora só falta uma dessas vozes que grita “machista” pedir uma punição exemplar por parte da Assembleia por ter como Presidente, quem? Uma mulher.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




