Estepilha: Histórias do Hotel Nova Avenida…

Rui Marote
Há um emblemático edifício no Funchal com uma história curiosa, e que se distingue pela beleza, embora hoje em dia tenha uma caixa de madeira gigante anexada ao centenário prédio datado de 1923 e que foi residência da família  Conceição Rodrigues.
O prédio foi reformado décadas depois, surgindo o Hotel Nova Avenida na estrada Monumental ao lado de uma das margens do Ribeiro Seco. Nessa época existiam no Funchal poucos hotéis.
Nos anos sessenta o Nova Avenida “revolucionou” a Madeira com abertura da 1ª discoteca, Gemini. O Nova Avenida foi um hotel que deixou história e que nos 70 chegou a ser escola hoteleira. Por lá passaram muitos turistas britânicos que chegavam à Madeira por via marítima.
O histórico do turismo e hotelaria, João Borges contou-nos que quando esteve à frente do hotel ninguém sabia o que era overbooking. Mas houve finalmente uma situação inesperada, quando o navio Vénus com as suas duas chaminés pretas e branca, despontou no horizonte. Nessa altura havia recebido uma reserva de uma passageira idosa. Acontece que o hotel estava cheio e não havia hipóteses de estadia. Depois de várias reuniões do “staff” directivo decidiu-se  pagar a viagem de regresso da cliente à Inglaterra no mesmo navio que chegava. Era uma situação inusitada e desagradável.
Enquanto se procurava ver como resolveria a situação, foi várias vezes incomodado pelo “groom” do hotel a bater À porta do escritório a querer falar-lhe. João Borges irritado, dizia: “Rapaz, estou a tentar resolver um problema e vens para aqui a querer falar, volta noutra altura!” Mas o “groom” tanto insistiu que João Borges finalmente deu-lhe atenção.
“O cliente do quarto 8 morreu”, disse o “groom”. João Borges gritou de satisfação e com os braços levantados exclamou: “Tenho o problema resolvido!” E abraçou o “groom”, que ficou surpreendido.
Hoje o edifício é a casa do Conservatório de Música, que veio substituir a Academia das Belas Artes, a qual funcionava onde hoje está o edíficio Infante, sob a batuta de do Dr. Peter Clode e nos anos 70 foi transferida para a Quinta das Angústias, hoje Quinta Vigia, sede do Governo Regional.
A Presidência do Governo funcionava então no ex- edifício da Junta Geral. Alberto João Jardim colocou o  Conservatório  no hotel Avenida, que estava encerrado e as Belas Artes na Rua da Carreira.
Até os dias de hoje o Conservatório de Música ali permanece em condições mínimas. O edifício é bonito mas enferma de muitas limitações. Há alguns anos atrás a direcção  resolveu, para melhorar as condições para os alunos, construir uma caixa de madeira que o Estepilha apelida amigavelmente de “cajón”: aumentativo da palavra espanhola “cajá”, “caixa”, “gaveta”, é um instrumento de percusssão que teve origem no Peru colonial… Pelo menos faz lembrar isso. Pode ser funcional e estar bem feito, mas, do exterior, é um bocado feio.
A caixa de madeira é o bar e refeitório dos alunos do Conservatório, bem decorado com um historial fotográfico e envidraçado com paisagem para a Quinta Magnólia e ponte do Ribeiro Seco.
Enquanto não surge um novo Conservatório com as condições adequadas a paisagem vai continuar a ficar enfeitada com este “cajón”… Estepilha!

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