
A postura tomada pelo médico Maurício Melim, depois de saber-se dispensado pela secretária regional de Saúde, Micaela Freitas, está a ser elogiada nas redes sociais inclusive por elementos da oposição política ao executivo, como o médico João Pedro Vieira, ligado ao Partido Socialista.
O clínico e político classificou a atitude de Micaela Freitas como um “tiro no porta-aviões”.
Porque reputamos esta apreciação de João Pedro Vieira de interesse público, reproduzimo-la:
“1. Não sou suspeito: fui crítico de muitas atitudes de Pedro Ramos e de opções políticas que contribuíram para enfraquecer o serviço público de Saúde de todos e reforçar o serviço privado para alguns.2. Porém, nada justifica a péssima opção de Miguel Albuquerque: a de colocar à frente da área política mais sensível da Região e do país, pelos desafios naturais que enfrenta, alguém que não sabe absolutamente nada sobre Saúde.
3. Pior: alguém que já deu provas de ser incapaz de aplicar boas práticas de gestão por onde passou, de que as sucessivas auditorias do Tribunal de Contas à Segurança Social, ou o estado deplorável em que deixou a rede de lares da Região são apenas dois exemplos.
4. Confesso: a Micaela Freitas nunca dei sequer o benefício da dúvida. Nem por um segundo. Mas se dúvidas ainda existissem no espírito de alguns, dois momentos bastaram para confirmar a inabilidade evidente: as declarações de ontem à RTP-Madeira, em que se limita a repetir meia dúzia de chavões estéreis sobre as supostas maravilhas do Serviço Regional de Saúde; e a decisão de afastar Maurício Melim do cargo de Autoridade de Saúde regional.
5. Maurício Melim foi, nem mais, nem menos, do que a voz mais lúcida e tranquila que a Saúde encontrou na Madeira ao longo de muitos anos. Não foi só a Saúde Pública; foi mesmo a Saúde. E entre a forma firme como respondeu aos mais recentes casos de dengue registados na Região e a forma serena como comunicou durante a pandemia de COVID-19, ao profissional de saúde não me resta outra coisa a fazer que não seja dirigir elogios. Nos bastidores, construiu, de raiz, um Serviço de Saúde Pública que foi capaz de recrutar, ao longo dos últimos anos, alguns dos melhores, mais talentosos e empenhados colegas que se formaram fora da Região, mas a ela regressaram, ou que nela optaram por viver. O seu afastamento é, por isso, incompreensível. Mas mais incompreensível ainda é a forma como aconteceu: sem qualquer respeito – pelo Homem, pelo profissional de saúde e pelo serviço que tutela.
6. Passaram vários dias desde a notícia do seu afastamento e várias horas desde a sua reação pública. Estranhamente, no mundo da Saúde regional tudo o que sobra é silencio. Silêncio e conivência. Da minha parte, resta-me endereçar-lhe um abraço: de obrigado pelo serviço que prestou aos madeirenses; de reconhecimento pelo trabalho que fez pela Saúde Pública na Madeira; e de agradecimento pela inspiração que foi, desde a Faculdade e depois dela, para abraçar primeiro e regressar depois a este trajeto que nos une.
7. A Micaela Freitas não sobra nada: nem autoridade política, nem conhecimento técnico, nem dignidade pessoal. À primeira oportunidade, deu um tiro no seu próprio porta-aviões; daqui para a frente, sobra-lhe tirar água de balde”.
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