Rui Marote
Determinei há 40 anos efectuar viagens aos países do outro “lado do Mundo”. Enfrentava maratonas de avião, diferenças horárias de doze horas, sendo comum ocorrer o jet lag. Tinha sangue na guelra. Não esqueço uma viagem para Auckland-Nova Zelândia com saída do Funchal e percurso Lisboa-Londres-Hong Kong-Nova Zelândia. Quando cheguei ao País dos Maoris estava todo “roto”, com a diferença horária de doze horas. Os amigos questionavam o porquê de ir tão longe. Respondia: deixo as viagens curtas na Europa para quando for velhinho. Sempre haverá alguém para empurrar a cadeira de rodas!!!
Mas não é ainda este o caso. Desta feita quis ir a terras da Irlanda, de onde conhecia somente a cidade de Cork.
Dublin, a capital irlandesa, não estava para já nos meus planos, mas aproveitei esta escapadinha de Inverno a preço apetecível na companhia de bandeira TAP, com um bom horário.
Foram cinco dias na companhia de uma mochila que não ultrapassou os 6 quilos. Disse a mim próprio novamente: arranca Rui Marote, “caixão não tem gaveta”. Levei a lição bem estudada e programada do que iria ver. Preparado para enfrentar o vento, o frio e mais chuva, já que na Irlanda o clima é incerto, muito imprevisível.
Por isso é chamada de “Ilha Esmeralda”. Todo aquele verde tem que se alimentar da água, que normalmente cai do céu quando menos se espera. Aprendi na tropa que chuva civil não molha militar, neste caso faz ricochete. Hoje o sol não apareceu, enfrento 3º graus positivos. Quando respiro mando cá para fora um vapor que parece um autêntico cigarro electrónico, ficando com os óculos embaciados.
A capital irlandesa tem uma cultura muito enraizada de pubs e cerveja, muito cosmopolita, muito cinzenta por fora, nas colorida e expressiva por dentro. Era o bastião do catolicismo conservador mas tudo mudou. Hoje pessoas do mesmo sexo podem ali casar-se legalmente. A história da cidade está intimamente ligada aos Vikings, que vieram da Escandinávia e se tornaram os responsáveis pela sua fundação no século VIII. No início os Vikings eram invasores que chegaram à capital irlandesa com o objectivo de roubar as riquezas e capturar prisioneiros para vender como escravos na Escandinávia.
Chegámos a hora prevista ao aeroporto de Dublin, sem bagagens para dificultar. O aeroporto dista do centro da cidade cerca de 12 km. Os autocarros saem do lado esquerdo à saída da terminal e ligam ao centro de Dublin. Optámos pelo “Bus” económico e a nossa paragem é na O´Connell Street. É a forma mais curta de chegar a pé ao hotel. A nossa escolha recaiu no Temple Bar Inn. Muito central, é só sair da porta e estar no centro da acção para quem não perde uma “night in the town”.
Aqui anoitece rapidamente no Inverno. Vou aproveitar o resto deste dia e descobrir onde irei jantar. Esta é uma cidade com 1000 anos de história, o berço de grandes nomes da literatura, da banda de música mais famosa das ilhas, os U2, quem não aprecia? E da Guinness, a cerveja mais famosa do mundo.
Amanhã vou precisar de muitas energias para cumprir o roteiro de Dublin, visitar monumentos históricos emblemáticos da capital irlandesa.
Bem cedo fui ao Castelo de Dublin, fortaleza medieval que remonta ao século XIII. A maior parte dos acontecimentos da vida da cidade passaram por aqui. Destaque para as escavações Vikings, os salões e aposentos vice reais e a Royal Chapel, uma jóia do estilo gótico. A visita ao interior do castelo de Dublin é paga mas vale muito a pena.
Prosseguimos com uma visita rápida ao City Hall (Câmara Municipal). Seguiu-se a visita à mais antiga catedral medieval, a Christ Church Cathedral. A sua origem supera os 1000 anos de história. No subsolo da catedral fica a maior cripta da Irlanda e Reino Unido. Mosaicos no pavimento reproduzem artefactos Vikings encontrados nas escavações arqueológicas.
Fiz uma pausa: a “barriguinha” está dar horas. Visitei o velhinho pub “The Brazen Head”, datado de 1198 o mais antigo da Irlanda. Sente-se história dentro destas paredes. Fotografei uma ponte de pedra integrada a oeste da Catedral.
Continuando com as catedrais, a St. Patrick´s Cathedral com a sua torre de 43 metros dedicada ao santo padroeiro São Patrício… Tudo é pago para visitar, mas o seu interior é deslumbrante.
Agora fomos cumprimentar Molly Malone, a estátua de uma famosa vendedora de peixe que morreu durante um surto de cólera que assolou a cidade e inspirou uma famosa canção.
Atravessei a icónica Ha’ Penny Bridge a primeira ponte pedonal sobre o rio Liffey onde se cobrava “half penny” para atravessar. Por hoje chega. Amanhã vou ter um dia mais tranquilo.
Pretendo aproveitar esta noite na minha zona: Temple Bar, bairro onde não falta um pub para saborear umas Guiness e desfrutar verdadeiramente da alma de um pub irlandês.
Iniciei o dia com um bom pequeno almoço. Não recorri a um Full Irish, típico da Irlanda mas ao inglês :- ovos ,bacon, salsicha, cogumelos salteados, tomate, grelhado, torrada e manteiga e um café americano. Reabastecimento suficiente para segunda etapa. Largada para conhecermos uma das principais (e históricas) artérias de Dublin, com mais uma vez a chuva molha-tolos a incomodar a caminhada na O´Connell Street.
Aqui é o posto de correios, palco da sangrenta revolta da Páscoa (Easter Rising) de 1916, em que os irlandeses se opuseram ao domínio inglês. Ao lado ergue-se uma coluna de 121 metros designada The Spire, com ângulo excelente para observar o monumento erguido próximo do rio Liffey.
Já no Trinity College a grande atracção é o Book of Kells, que recebe por ano 500 mil visitantes anuais, na Old Library and Long Room que guarda o Novo Testamento feito por monges celtas por volta do ano 800. Esta é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. Finalmente a entrada é gratuita.
Na Merrion Square está a estátua do dramaturgo e grande vulto literário Oscar Wilde. Dublin é uma cidade com muitas estátuas, como costumo dizer, de encher o olho. A Merrion Square acolhe um parque escondido e em redor famosas casas georgianas com portas coloridas constituem um verdadeiro cartão de visita.
Como tenho a garganta seca e por falar em cerveja, porque beber é uma arte em Dublin e vejo pessoas acorrendo às suas fontes, na minha frente o edifício
da Guiness Store House é tentador e exige uma visita. Serve diariamente milhares de litros da famosa cerveja preta com dois dedos de espuma.
Percorri os 7 andares. Trata-se de um verdadeiro templo. É um pecado não prestar o devido culto. Continuo a abrir a ostra mas ainda não descobri totalmente a pérola.
Dedicarei o dia de amanhã (último) a visitar mercados tipo feira da ladra, que são uma paixão minha, antes de regressar à minha bastante mais pequena ilha, com a missão cumprida e mais uns cromos a preencher a caderneta das viagens, neste caso da Europa…
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