JPP denuncia aumento de 151% na água de rega e de 31,8% na água para regar campos de golfe

Os agricultores sentirão este ano um aumento de 151% no preço da água para regadio de terrenos agrícolas. Trata-se de um agravamento que surge acompanhado de outro, no valor de 12%, para a água de consumo doméstico, e que em Dezembro passado gerou acesa contestação de alguns autarcas, diz o JPP.

O Governo Regional, através da Resolução n.º 87/2025 de 22 de Janeiro, alterou o tarifário da empresa pública Águas e Resíduos da Madeira (ARM) para 2025. Os aumentos previstos para a água potável, na ordem dos 12% sofreram a contestação da maioria das autarquias da Região que se queixaram de um tarifário que excedia em muito os valores da inflação registada na Região, que se situa nos 3,3% (Dezembro de 2024). Ou seja, o aumento é quase quatro vezes o valor da inflação.

Se a água que corre nas torneiras das famílias vai custar mais 12% em 2025, a secretaria regional da Agricultura, Pescas e Ambiente não teve contemplações para com os agricultores, ao aplicar-lhes um aumento de 151%, valor que irá refletir-se nos custos com a produção dos produtos agrícolas.

Exemplificando, se em 2024 o tarifário da ARM tinha um preço de 16,78€ anuais por cada hora de contrato, em 2025 esse valor sobe para os 42,13€.

Para o secretário-geral do Juntos Pelo Povo (JPP) trata-se de “um aumento brutal para quem precisa deste bem precioso para a atividade agrícola, uma decisão que irá afetar os baixos rendimentos dos agricultores e, por outro lado, carregar ainda mais no brutal custo dos bens essenciais que as famílias têm vindo a suportar diariamente”.

Com a nova tabela, um agricultor que tenha 50 horas anuais de água para regadio, pagou 839€ em 2024. A mesma quantidade de água em 2025 irá custar-lhe 2 106,50€, ou seja, vai pagar mais 1 267,50€. “Não há conjuntura que justifique semelhante aumento, é uma forma de sacar dinheiro a quem já tem muito pouco, é uma profunda injustiça”, insurge-se Élvio Sousa

O líder do JPP pega na tabela aplicada aos agricultores e compara-a com a água fornecida aos campos de golfe, cujo aumento é na ordem dos 31,8%.

“Não há qualquer sentido de justiça nesta decisão, não se compreende a falta de critério”, diz Élvio Sousa. “Para uma actividade turística lucrativa, aplicam uma tarifa 120% mais baixa do que a exigida a uma atividade de baixos rendimentos, mas fundamental para termos produtos à mesa e cuidar da nossa paisagem. São estas as prioridades governativas de Miguel Albuquerque e Rafaela Fernandes.”


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