Rui Marote
Já historiámos aqui a emblemática Rua da Bela Vista ou Rua do Quebra Costas, única na toponímia do Funchal porque tem duas placas fixadas com dois nomes diferentes.
Esta rua histórica está muito descaracterizada e degradada. Não querendo ser parcial o jornalista, uma vez que aqui reside há 52 anos… mas todos os moradores se interrogam presentemente o porquê da construção daquele “mamarracho” no parque de estacionamento junto à escadaria de acesso à Rua das Cruzes. A construção deste edifício pelos trabalhadores da edilidade custará aos munícipes 25.000 euros. O mesmo foi já visitado por vice Bruno Pereira e pelo presidente da Junta de freguesia de São Pedro.
Esclarecemos: este “mamarracho” é destinado a uma casa de lixo automatizada, destinada exclusivamente à população local. Incluirá uma floreira na cobertura para minimizar o impacto visual na área envolvente. Mas com tanto espaço no parque, a escolha do local mesmo no topo da rua histórica para colocar esta estrutura, com floreira ou sem floreira, é de mau gosto, lamentam os residentes.
Todos os dias sobem e descem o Quebra Costas dezenas de turistas com destino ao convento de Santa Clara. Fazem uma paragem no miradouro das Cruzes para contemplar a baía do Funchal e visitar os museus naquela área. Com acesso aos telemóveis – GPS e mapas – muitos fazem um compasso de espera adquirindo forças para “trepar” a ladeira em direcção às cruzes. É raro o dia em que não os ajudamos. Ao vê-los desorientados, prestamos a nossa informação indicando a escadaria de acesso à estrada; basta virar à direita e 200 metros percorridos, estão no Convento.
Hoje o impacto visual é outro e esta “casinha de prazeres” bem feia está a ser construída não no fundo do parque mas mesmo em frente a esta artéria, vendo-se de cá de baixo.
A história do Quebra-Costas tem sido tumultuada, principalmente no seu topo. Parafraseando um antigo professor de Português, Alfredo Ferreira de Nóbrega “se a minha memória não falha”, como ele costumava dizer, a cota 40 foi inaugurada há 31 anos, graças ao governo de Alberto João Jardim, que a construiu, pagou, sendo que o presidente da Câmara João Dantas depois a inaugurou cumprimentando com o chapéu alheio, pois a Câmara do Funchal não tinha então dinheiro para “fazer cantar um cego”.
Acompanhámos diariamente esta obra desde o largo da Cruz Vermelha até à ponte de São João. Mudanças e os desvios no projecto aconteciam mensalmente. O túnel era para ser a céu aberto onde hoje se encontra o parque de estacionamento. Mas surgiram problemas com casas na Rua Pimenta de Aguiar que seriam demolidas, o que aconteceu com uma casa ainda em escombros à entrada do parque.
Porém, uma militante ferrenha do PPD bateu o pé e o túnel foi desviado mas acabou por levar parte das oficinas e garagem do Engº Pires. Mas as curvas e contra-curvas de desvios esbarraram com o edifício do primeiro hospital da Madeira, junto à capela de São Paulo.
O trajecto voltou a sofrer outro desvio para que o hospital não desaparecesse. Hoje apesar de promessas na sua reconstrução continua num mau estado. A estrada que teria grande parte do trajecto à superfície acabou por ser em túnel o que encareceu os custos das obras e hoje quem circula este trajecto tem curva e contra curva no seu interior.
A Junta de Freguesia de São Pedro no tempo do Dr. Estudante chegou a propor à Camara a exploração do parque, contribuindo essas verbas para o orçamento da junta, o que a Câmara de João Dantas nunca aceitou.
Esta é a verdadeira história da cota 40 Largo Severiano Ferraz – São João.
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