Cadeiradas

O debate no canal TV Cultura, entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, Brasil, na madrugada da passada segunda-feira, acabou à cadeirada. José Luiz Datena ofendeu-se com as provocações de Pablo Marçal, pegou numa cadeira de outra candidata e agrediu o adversário. Datena foi expulso do estúdio e Marçal levado para o hospital.

Estas imagens percorreram o mundo e originaram numerosas publicações, algumas das quais irónicas. Há consenso em descrever este episódio como uma das piores cenas já vistas em directo, num programa televisivo de confronto de ideias e projectos, em período de campanha eleitoral. Para o debate político, ficou mais um caso vergonhoso de falta de civismo democrático.

Na Madeira, uma região rica e próspera com 254 522 eleitores inscritos (2024) e uma Assembleia Regional altamente produtiva, no âmbito legislativo, para o bem-estar do povo, o PSD-Madeira com 49 104 votantes propõe uma alteração da Lei Eleitoral, que irá introduzir mais sete cadeiras para mais sete deputados. Além de retomar o princípio dos onze círculos concelhios, acrescido de um círculo de compensação e outro da emigração, o sistema proposto beneficiará o partido mais votado e reduzirá a representatividade dos denominados pequenos partidos.

A definição dos círculos eleitorais pode influenciar, a priori, o resultado de uma votação. Esta matéria requer, por conseguinte, a atenção dos cidadãos.

No Fanal, também houve cadeiras e mesas para uma festa de casamento, de noivos e convidados que desprezam a Floresta Laurissilva. A boda, segundo o DN-Madeira, foi autorizada pelo Instituto de Florestas e Conservação da Natureza e contou com a presença de autarcas do Porto Moniz. Perante o desrespeito pelo Património Mundial Natural classificado pela UNESCO, as muitas críticas e a notícia de que são recorrentes eventos semelhantes, ninguém deixou a cadeira. Pelo contrário, quem deveria «colocar a cadeira na porta», acto que significa que alguém tem de sair daquela casa, arranjou uma dose de grude para o responsável permanecer, com a ressalva de que «Se não houve afectação do ecossistema e foi tudo limpo, não acho que isso seja um problema». Quem será encarregue de verificar se houve ou não a dita afectação? Com que critérios se fará? Quanto tempo levará? Quando teremos conclusões?

No Porto Santo, há cadeiras autárquicas que não sabem respeitar o monumento escultórico, da autoria de António Aragão, comemorativo do Quinto Centenário da morte do Infante D. Henrique, enquadrado no belo projecto urbanístico do arquitecto Chorão Ramalho. O popular «Pau de sabão» serve para tudo, de suporte de cartazes publicitários ou focos de iluminação. Depois de levarem umas valentes «cadeiradas» nas redes sociais e na imprensa, dignaram-se retirar do monumento o que nunca deveriam lá ter colocado.

À hora que escrevo, a Polícia Judiciária comunicou ter efectuado, hoje (17-09-2024, 12:52), na Região Autónoma da Madeira, uma operação policial denominada Ab initio, «que visou a realização de sete detenções e a execução de 43 mandados de buscas domiciliárias e não domiciliárias, por suspeitas da prática dos crimes de participação económica em negócio, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, prevaricação e financiamento proibido de partidos políticos. Os sete detidos são autarcas, empresários, funcionários públicos, titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos. No que diz respeito a buscas, duas delas foram realizadas em sede de municípios e quatro em secretarias regionais.»

Vão rolar cadeiras…?

 


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.