A quinta do governo no Santo da Serra era, noutros tempos, palco, na última sexta feira de cada mês, de uns encontros da equipa governamental de Alberto João Jardim com a comunicação social. Essa iniciativa foi lançada no terceiro governo regional, de 1980 a 1984. O objectivo era fazer um balanço e dar a conhecer o andamento das obras que constavam do programa do governo.
Cada secretário passava a pente fino as iniciativas e os trabalhos do seu pelouro.
O governo ponha ao dispor dos órgãos de informação meios de transporte, uma vez que as empresas jornalísticas não dispunham então de viaturas próprias.
O ambiente era acolhedor, em especial no período de Inverno em que a lareira amenizava a temperatura fria. Terminava-se com um almoço servido pelo restaurante A Nossa Aldeia. Recordo que no final desse repasto o proprietário obsequiava com um digestivo os presentes e passava entre os comensais com uma caixa de madeira, sendo bem visível o embutido gravado na tampa. Ali guardava no interior os charutos de qualidade que eram distribuídos.
Mas essas conferências eram inéditas. Os debates no parlamento do governo com outras forças políticas, só existiam na apresentação do programa anual e do orçamento.
Hoje o governo regional e central debate habitualmente todos os meses um tema.
A intenção desta memória, porém, é dar a conhecer porque “abortaram” estes encontros do Santo da Serra.
A culpa tem um nome, guardado durante 40 anos.
Na altura não havia telemóveis e a captação de imagens era só para os que faziam da maquina fotográfica instrumento de trabalho.
A minha primeira pergunta foi para o secretário da Educação, Brazão de Castro: era sobre a construção de uma caixa de areia para o salto em comprimento e triplo salto no campo de futebol do liceu, que não oferecia segurança na prática do atletismo. O secretário respondeu que não era verdade. De imediato exibi uma fotocópia no tamanho 30×40 do assunto em epígrafe, que ofereci ao responsável da pasta de educação.
A segunda pergunta foi a Susano de França secretário do Planeamento e Finanças: na rampa de São Lázaro dois barcos da Madeira Seafaris, empresa a que o governo tinha dado um aval e entrou em falência, tinham os dois iates varados há mais de um ano e encontravam-se num estado de degradação.
Resposta: Não é verdade. Voltei a repetir os mesmos gestos, exibindo uma foto e oferecendo-a aos presentes.
De repente Alberto João Jardim aborreceu-se, e muito indignado, deu uma palmada na na mesa e declarou: “O amigo vem para aqui desestabilizar! Está encerrada a reunião”.
A partir desse dia nunca mais o governo reuniu com a imprensa na Quinta do Santo da Serra.
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