Coro de críticas dos partidos terá feito Albuquerque mudar de ideia

Como já divulgámos, a RAM vai receber 80 elementos da Força Especial de Bombeiros, vindos do continente para ajudar as corporações da Região a combater o incêndio que se iniciou no concelho da Ribeira Brava e que lavra já no Curral das Freiras, no vizinho concelho de Câmara de Lobos.

A gravidade da situação e um coro de críticas dos partidos da oposição terá posto Miguel Albuquerque em xeque e forçado a sua mão na tomada da decisão de aceitar ajuda de Lisboa.

Paulo Cafõfo, líder do PS-M, acusou Albuquerque de uma “atitude incompreensível e irresponsável” ao recusar apoio do governo central para combater um incêndio que ameaça chegar ao Funchal.

“Mais que não fosse por prevenção, esta recusa de Miguel Albuquerque, numa atitude que já conhecemos de que ‘está tudo controlado’, demonstra que não podemos confiar naquele que deveria ser o primeiro a garantir a segurança de pessoas e bens”, apontou Paulo Cafôfo, referindo que “seria cauteloso reforçar meios para que, na eventualidade de atingir zonas populacionais, os meios fossem em número suficiente para evitar uma tragédia”.

Cafôfo defendeu ainda que, dadas as circunstâncias em que decorrem os incêndios, já deveria ter sido atcivado o Plano Regional de Emergência de Protecção Civil da Região Autónoma da Madeira (PREPC RAM).

A Iniciativa Liberal, por outro lado, considerou que as conclusões sobre as opções estratégicas tomadas, nomeadamente a recusa do apoio oferecido pelo Governo da República, e sobre a eficácia da liderança à distância dos trabalhos de combate às chamas, deverão ser analisadas e discutidas após a extinção dos incêndios em curso, o que desejamos que aconteça o mais rapidamente possível. Mas recursou ter “posições oportunistas, para retirar o foco do essencial: evitar uma tragédia humana e ambiental, com a utilização de todos os meios que possam e devam ser utilizados para o efeito”.

Já o PPM Madeira mostrou-se preocupado com o rápido avanço das chamas que lavra na Região já pelo quarto dia consecutivo. O partido entende que já deveria ter sido feito um pedido de ajuda para mais meios aéreos e criticou a recusa de ajuda pelo presidente do Governo Regional.
“Embora por vezes o único meio aéreo não possa voar por causa do vento, mas, pelo menos com dois meios aéreos, iria compensar o tempo em que não pode operar.
O PPM recorda que nos grandes incêndios que assolaram a Região em 2017, que também recusou ajuda e depois deitou as mãos à cabeça com pedidos de ajuda urgentes, mas infelizmente foi tarde demais, parece que o Sr. Presidente não aprendeu nada com esses incêndios e o cenário parece voltar a repetir-se”, sentenciaram os monárquicos madeirenses.
Por outro lado, o PTP disse esperar que Albuquerque não tenha de engolir a arrogância no apoio da República aos incêndios. Os trabalhistas classificaram de “arrogância” a recusa do Presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, em aceitar o apoio do Governo da República no combate aos incêndios.
“Para o bem da Madeira, esperemos que o Governo Regional não tenha de engolir as palavras, para conseguir combater os incêndios que assolaram os concelhos da Ribeira Brava e Câmara de Lobos ”, referiu Raquel Coelho.
No entender do PTP, descartar ajuda quando se sabe que as chamas são imprevisíveis é prematuro e irresponsável. “Miguel Albuquerque parece o imperador Nero, a tocar harpa enquanto Roma ardia”, lamentou o PTP.

Por seu turno, o JPP foi ao Curral das Freiras mostrar solidariedade às populações e, sobre a recusa de Albuquerque em aceitar o apoio de meios vindos do continente, Élvio Sousa desejou piamente que o presidente do Governo Regional e o secretário regional da Saúde e Protecção Civil “não se tenham engando na análise da situação e espera que a decisão que tomaram tenha sido fundamentada por quem conhece da matéria, para não se repetir os erros de Albuquerque nos incêndios de Agosto de 2016, iniciados nas zonas altas de São Roque e que viriam a deixar o Funchal sob forte ameaça”. Entretanto a posição oficial mudou, como foi reportado.

Quanto ao CDS, considerou “essencial reforçar os meios de combate aos fogos que lavram na Madeira”.
“Tendo em conta as zonas onde o fogo está a lavrar, temos que avaliar a possibilidade de ter o apoio de reforços do continente, nomeadamente de meios aéreos”, dizem os centristas.
“O CDS está certo de que o Serviço de Proteção Civil está a ponderar todas as hipóteses, como é da sua responsabilidade, e que tomará as melhores decisões.
A situação piorou nas últimas horas e naturalmente as respostas também terão que ser outras”.


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