Madeira vai comemorar Dia Mundial do Bordado

Rui Marote
Será no dia 30 de Julho que a Madeira irá comemorar pela primeira vez o Dia Mundial do Bordado. Vamos lá entender de onde veio essa data.
O primeiro Dia Mundial do Bordado aconteceu no ano de 2011 por iniciativa do Täcklebo Broderiakademin (Academia de bordado de Täcklebo) em Vismarlöv, na Suécia.
A Academia reúne artistas, educadores, curiosos e historiadores, com o objectivo de promover o bordado como expressão artística e consciencializar as pessoas sobre esta tradição.  A criação deste grupo surgiu com o propósito de criar uma comunidade para fortalecer laços de quem trabalha com bordado.
O Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, IP-RAM (IVBAM), pelo seu lado, surgiu em 2006, fruto da fusão do Instituto do Vinho da Madeira (IVM) e do Instituto do Bordado, Tapeçarias e Artesanato da Madeira (IBTAM).
A secretaria regional de Agricultura e Pescas, que tutela o IVBAM, resolveu comemorar esta efeméride na Região, 13 anos depois que foi decretado o Dia Mundial do Bordado. Está a ser planeada essa comemoração,, cujos contornos ainda está por apurar, mas que ontem ficou decidida.
No nosso plano de memórias estava em carteira a publicação, na rubrica “Memórias”, de uma história intitulada “Original do monumento das Bordadeiras  atirado pela janela fora”.
Como isto se encaixa no actual contexto resolvemos “queimar” este tema. Trata-se  do monumento das bordadeiras instalado nos jardins do antigo edifício Grémio dos Bordados, mais tarde IBTAM e hoje IVBAM.
Foi mandado erguer no ano de 1985  e executado pelo escultor Anjos Teixeira um monumento às bordadeiras. A 30 de Junho de 1986 o Presidente da República Mário Soares, em visita oficial, esteve presente na inauguração. Mas isto tem uma história. O escultor Mestre Anjo Teixeira era militante do Partido Comunista e o regime social democrata que reinava e ainda reina na Madeira era anti-comunista.
A obra trabalhada em Lisboa pelo mestre encontrava-se na fundição, devendo ser transportada para a Madeira. Acontece que a data da inauguração aproximava-se e a peça escultórica continuava a aguardar transporte, embora o original em gesso tivesse chegado.
O discípulo do mestre Anjos Teixeira, Ricardo Veloza teve de se “desembrulhar” em cima do acontecimento. O pedestal em basalto que aguardava a escultura estava construído e não havia obra a colocar.
O escultor madeirense então teve a brilhante ideia substituir a peça de bronze pelo original de gesso branco. Ludibriou os presentes no dia da inauguração tendo dado um “banho” de cor verde, camuflando a estátua.
Estive presente na inauguração nos jardins do Instituto do Bordado e ninguém destrinçou o verdadeiro do falso. Anjos Teixeira não esteve presente na inauguração. No final do dia  e durante a noite choveu no Funchal. A estátua de manhã voltou ao seu original: branco mais branco não há! A chuva lavou a pintura verde.
Umas semanas mais tarde a verdadeira peça escultórica  foi colocada e o gesso recolheu ao segundo andar permanecendo no Museu do Bordado.
Nos últimos anos foram efectuadas obras no edifício e garagens do instituto. E a peça escultórica original em gesso foi atirada pela janela, fora estatelando-se no parque de estacionamento do Instituto.
Não tenho palavras para este atentado… se não queriam ofereciam ao museu Henrique e Francisco Franco, do outro lado da rua…
Sei que nos dias de hoje o IVBAM tinha planos para voltar a fundir essa peça escultórica que tem alegadamente pormenores deficientes na fundição, e substituir por uma actual.
Não será possível uma vez que o original foi atirado pela janela fora  como aconteceu em 1640 com Miguel Vasconcelos que representava os interessos castelhanos. Neste caso foi não querer transportar  o original em gesso à mão  enfrentando uma série de degraus de uma escadaria desde um segundo andar.

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