O Bloco de Esquerda acusou hoje Miguel Albuquerque de desprestigiar o cargo de presidente do Governo Regional. A tomada de posição do Bloco veio na sequência de uma acção de rua, para “falar com as pessoas, ouvir o que têm para nos dizer e também a dar-lhes a nossa leitura daquilo que se está a passar em termos políticos na Região”.
Há três conclusões a que se chega rapidamente, asseveram os bloquistas: a primeira é a de que Miguel Albuquerque desprestigia o cargo de Presidente do Governo Regional da Madeira.
“A Madeira está desde Janeiro nas bocas do mundo, pelas piores razões, e por causa de Miguel Albuquerque e do PSD. E o que se vê é que lhe falta bom senso e sentido de Estado. Faltou em Fevereiro, quando o PSD e o CDS não quiseram aprovar o orçamento, apesar da insistência do Representante da República e da disponibilidade de vários partidos. Nessa altura não se importaram com os interesses da Madeira”, acusa o BE.
“Faltou-lhe bom senso quando se recandidatou às eleições regionais, pois sabia que não haveria maioria absoluta e sabia que os parceiros não o iriam aceitar como presidente. Faltou sentido de Estado quando mentiu ao Representante da República dando garantias de estabilidade. E continua a faltar-lhe bom senso porque Miguel Albuquerque é, aparentemente, o único entrave para a Madeira tenha o seu orçamento aprovado”, sentencia o Bloco.
A segunda conclusão é a de que viver em duodécimos “não é o fim do Mundo nem da Madeira”.
“Não vamos dizer que é igual a termos o orçamento aprovado, mas não é o fim do mundo. Até porque estamos com este regime de duodécimos desde Janeiro e as empresas continuam a produzir, os serviços públicos continuam a funcionar, os salários e as pensões continuam a ser pagos e até o presidente do Governo continua a visitar obras em curso”, aponta Dina Letra.
“O que isto obriga é que haja rigor nas contas, a que haja critérios e definições de prioridades, coisa que todos sabemos que o PSD tem dificuldades em fazer. Não é à toa que temos uma dívida colossal que será paga por várias gerações de madeirenses”, prossegue.
Finalmente, a terceira conclusão é a de que o que vai ser votado no Parlamento é uma moção de confiança. Uma moção de confiança a Miguel Albuquerque, ao seu governo.
“Em Fevereiro foram o CDS e o PAN que retiraram a confiança política a Miguel Albuquerque, por entenderem que não tinha credibilidade e condições políticas para continuar no cargo e com isso provocaram eleições antecipadas; foram estes partidos, a par da IL, que garantiram ao eleitorado que nunca iriam viabilizar Miguel Albuquerque como presidente do governo e até que seriam um bloqueio à extrema-direita. Agora dão o dito por não dito e dão uma volta de 180 graus quanto ao que era para eles impossível de aceitar”, critica o BE.
O Chega, que faz bandeira do combate à corrupção e de que é preciso limpar a Madeira, prepara-se para se aliar ao sistema que diz combater, acusa o Bloco.
“Sentam-se agora todos à mesma mesa, sem linhas vermelhas, e preparam-se para dar um voto de confiança a Miguel Albuquerque e colocar na presidência do governo regional da Madeira alguém que é arguido num processo de corrupção e de atentado ao estado de direito”, indigna-se o BE.
“Para além de tudo isto minar a confiança dos eleitores na palavra dos políticos e de descredibilizar a política, demonstra também que o Bloco de Esquerda tinha razão quando, durante a campanha, denunciou que votar no CDS, PAN, IL e CHEGA era o mesmo que votar no PSD”, conclui.
“A Madeira precisa de uma mudança. Não será certamente com algum destes partidos”.
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