Memórias: falhou a primeira ligação automática Madeira-Caracas

Decorreram mais de 30 anos que se realizou a primeira chamada telefónica automática Madeira-Caracas. Era então administrador da Telecom na Madeira o Dr. Agostinho Pereira de Gouveia que em 1992 integrou o Governo liderado por Alberto João Jardim, com a pasta da Economia.
Recordo que a cerimónia se realizou onde hoje se encontra o balcão dos correios na Avenida Zarco e que na altura funcionava no edifício abaixo.
As inaugurações de José Agostinho eram sempre “cinco estrelas”.
O ex-salão dos CTT onde decorreu a cerimónia tinha uma mesa com mais de 10 metros onde estava um telefone de cor verde, moderno na altura, a substituir os telefones discáveis. Em frente, em números garrafais, o indicativo do país seguido do número da embaixada de Caracas na Venezuela.
Como convidado de honra estava o Ministro da República, General Lino Miguel, além do Governo Regional da Madeira.
Devido ao fuso horário, a cerimónia teve início às 12h30 no Funchal. Nos cantos do salão estavam montadas colunas dirigidas para a rua, onde quem passasse naquela artéria poderia acompanhar o que se passava, e os jornalistas captarem o som.
À hora prevista, Lino Miguel começou a digitar a longa fila de números do memorando. Silêncio, fazendo-se ouvir o trim… trim de chamada: – Sim está!, ouviu-se.
É o senhor embaixador?, perguntou. Mas, do outro lado da linha, ouviu-se: “Aqui é Boliqueime, Santo António”.
No meio da sala, Pereira de Gouveia de braços no ar em voz alta dizia corta!!! corta!!!  Uma risada agitou os presentes…a
Assim foi a primeira chamada que abortou.
Após um compasso de espera lá se fez nova digitalização e o diálogo Madeira-Caracas enfim concretizou-se.
Aqui fica mais uma memória bizarra do arsenal jornalístico, para a história…

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