Rui Marote
Faz 31 anos em Agosto do ano em curso que a famosa princesa Stephanie de Mónaco, filha mais nova de Rainier e Grace Kelly, visitou a Madeira.
Nesse ano, decorria a 34ª edição do Rally Vinho Madeira, uma prova do Campeonato da Europa, com uma lista de 100 pilotos.
Nessa lista constava o nome de Daniel Ducruet, um perfeito desconhecido no automobilismo, que não tinha grande currículo, e a quem fora atribuído o nº31, competindo com um Toyota Celica… e que havia porém de concentrar as atenções antes e depois do rali.
É que Daniel Ducruet tinha sido o guarda-costas e era namorado da princesa Stephanie.
Stephanie era um dos alvos favoritos dos papparazzi que ainda não tinham conseguido uma foto da bebé recém-nascida, fruto do namoro com Ducruet, de nome Pauline. A segurança à volta da princesa e do “fruto proibido” era grande: além dos seguranças pessoais foi reforçada pela PSP madeirense, em conjunto.
Ora, como fotojornalista, tentei obter o instantâneo durante as visitas a diversos pontos da ilha, mas sem sucesso; era sempre retido pelas forças de segurança.
Estudei a melhor maneira de o fazer, pensando que poderia ser fotografar a princesa no interior de Reid´s quando fosse à piscina. Mas não saber a hora a que o feria, se de manhã ou de tarde, requeria uma persistência e paciência grandes, e conseguir um local para captar a foto sem ser detectado.
Resolvi instalar o meu posto de observação no terraço do Hotel Sheraton. Munido da minha objectiva reflex 500mm da Nikkor, aguardei pacientemente que a Stephanie utilizasse a piscina do hotel.
Com a objectiva assente no patamar do muro de protecção, ia fazendo “travellings” como que varrendo a explanada em redor da piscina.
Eram cerca das 16 horas quando a oportunidade da ambicionada foto se concretizou. A princesa, deitada numa espreguiçadeira, de braços erguidos, ostentava o bebé. Ao redor uma série de seguranças, incluindo os da PSP.
Ora, perante tal oportunidade o entusiasmo contagiou-me e embora estivesse a uma longa distância, expus-me demais. Fui detectado pelos seguranças que de imediato com um guarda-sol enorme, taparam a princesa, retirando Stephanie da piscina.
Ao ser localizado percebi-me que os seguranças viriam de imediato ao hotel à minha procura… Na companhia da minha colega Rosário Martins resolvemos despistar os perseguidores utilizando a escada exterior de caracol e não usando o elevador.
Assim foi: fomos serpenteando imensas vezes até que, farto, resolvi desistir e e chamar o elevador ao 4º andar. Cometemos um erro: quando as portas do elevador se abriram, vimos os seguranças, que eram quatro. Demos literalmente de caras uns com os outros.
Aqui iniciou-se um diálogo infernal no corredor do hotel. Os seguranças exigiam o filme. Nessa altura tinha “sangue na guelra” e não cedi. Sabia os meus direitos.
Regressámos, pois, à Redacção do Diário com o “troféu de caça”, triunfantes. Mas a alegria durou pouco tempo: o telefone do matutino tocou depressa. Do outro lado, Richard Blandy, proprietário do Reid’s e também do Diário. A reportagem “abortou” pois a princesa ameaçava que se fosse publicada abandonaria o hotel.
Patrão manda e empregado não pode senão cumprir. Ao fim de tantos esforços… Mas não dei o caso por perdido. A reportagem ficou em “banho maria” e logo no dia em que deixaram o hotel, o DN-Madeira fez manchete e foi o primeiro órgão mediático a publicar a foto de Pauline, hoje com 30 anos .
Prometemos continuar com estas historietas feitas de uma manta de retalhos de memórias do passado. A próxima será sobre o Rei Carlos Gustavo da Suécia e a Rainha Sílvia…
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