A representação parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia Legislativa da Madeira abordou, hoje, questões relacionadas com a deterioração da qualidade dos serviços prestados às pessoas idosas institucionalizadas em Unidades de Acolhimento Residencial, privatizadas pelo governo regional.
Consideram os bloquistas que o Estabelecimento Bela Vista é um caso bem ilustrativo da perda de qualidade dos serviços prestados, com claro prejuízo dos utentes desta Unidade de Acolhimento Residencial.
“Em primeiro lugar é necessário dizer que, após a entrega deste Lar a uma entidade privada, a grande maioria dos seus funcionários optaram pela mobilidade para outros serviços da administração pública, o que teve impactos negativos na prestação de cuidados aos idosos: os funcionários que permaneceram nesta instituição são insuficientes para garantir a higiene e conforto a estas pessoas, grande parte delas acamadas e que necessitam de banhos diários, alguns várias vezes ao dia”, refere o BE.
Com os poucos funcionários que sobraram, sem que tenham sido admitidos trabalhadores em número razoável, tornou-se quase impossível garantir a cada idoso os cuidados imprescindíveis.
Por outro lado, não são raras as vezes em que os idosos passaram a ter as suas refeições muito mais tarde do que era habitual: há relatos de pequenos almoços pelas 11h da manhã e almoços pelas 14,30h-15h, entre tantas outras queixas de trabalhadores e familiares dos próprios utentes desta Unidade.
“Este é apenas um exemplo de como funcionam as privatizações de serviços essenciais, como é o caso que aqui abordamos. O BE já questionou no Parlamento a Sra. Secretária da Inclusão sobre estas queixas, mas a titular da pasta fez “ouvidos de mercador” e nem esboçou uma resposta sobre esta matéria”, acusa o Bloco de Esquerda.
“O mais grave é que o GR prepara-se para privatizar outras Unidades de Acolhimento Residencial para Idosos, sob tutela pública, o que não augura nada de bom. O BE sempre se manifestou contra a privatização destas Instituições, por várias razões: em primeiro lugar porque o sector público gere melhor e com mais humanismo, por não ter como principal objectivo o lucro, como acontece com os privados; em segundo lugar, porque o apoio social não pode ser um negócio mas um investimento nas pessoas que necessitam de cuidados permanentes que não se compadecem de falta de pessoal e de outros interesses que lhes são completamente alheios. Em terceiro lugar, porque é preciso garantir respeito pelos direitos dos trabalhadores, a braços com quantidades de trabalho impossíveis de realizar por um número tão pequeno de profissionais”, prossegue o Bloco.
“A irresponsabilidade de colocar nas mãos dos privados serviços públicos essenciais, com a consequente deterioração do serviço prestado, não serve a Democracia e a obrigação de cuidar das pessoas. Por todas estas razões, na próxima legislatura continuaremos a lutar contra este tipo de privatizações que causam dano na vida das pessoas e têm como objetivo primeiro o lucro em detrimento do bem-estar social dos cidadãos”, conclui o comunicado do BE.
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