Entrevista à nova presidente do JPP: “A principal oposição dos sucessivos Governos de Miguel Albuquerque” (I)

Lina Pereira foi eleita presidente do partido Juntos pelo Povo (JPP) a 20 de janeiro. Em entrevista ao Funchal Notícias aborda vários assuntos da actualidade entre elas as Europeias de junho.

FUNCHAL NOTÍCIAS-Foi eleita presidente do partido (JPP) num contexto de demissão de Filipe Sousa e depois de alguma crispação entre o grupo parlamentar (da Legislatura anterior) e a linha autárquica do partido, com epicentro em Santa Cruz. Considera sanada e clarificada a crispação?

LINA PEREIRA: Num contexto de tomada de decisões os consensos acabam por ser o maior desafio. A situação que aborda decorreu, exatamente, de diferentes perspetivas, mas onde prevaleceu, nos órgãos nacionais do JPP, uma orientação democrática e de diálogo. Considero que hoje já foram debatidos os diferentes pontos de vista e clarificada a própria organização da estrutura interna do Partido onde prevalece o espírito democrático do Coletivo.

FN-Enquanto nova presidente, que estratégias pretende implementar para expandir a ação do partido e para acabar com o anátema de que o JPP está confinado a Santa Cruz/Gaula?

LP: O JPP é um Partido que se tem pautado por um crescimento sustentado onde em Santa Cruz, governamos a Câmara Municipal e todas as Juntas de Freguesia do Concelho, mas não podemos reduzir a nossa dimensão a este Município. Somos a terceira força política regional, com um grupo parlamentar na ALRAM que tem sido, e digo-o com muito orgulho, a principal oposição dos sucessivos Governos de Miguel Albuquerque, acompanhando e fiscalizando dossiers fundamentais para a RAM como a mobilidade marítima e a defesa intransigente do Ferry, as listas de espera na Saúde, o setor primário, nomeadamente, na defesa dos bananicultores e produtores de cana-de-açúcar, entre outros. Podemos, isso sim, olhar para o JPP como um partido que se tem focado no contexto “regional”, com sede na Região e onde os órgãos nacionais são constituídos, maioritariamente, por madeirenses e porto-santenses, o que, na minha perspetiva não tem apenas o lado “negativo”. Vejamos os exemplos em que os partidos tradicionais aqui na Região dizem uma coisa mas depois, em Lisboa, a história muda de figura e o exemplo da nossa proposta para reduzir o IVA da eletricidade, do gás e das telecomunicações foi um claro exemplo. Na ALRAM, juntaram-se todos os partidos políticos para aprovar esta medida da maior justiça para todos os portugueses, mas, chegado à República, a medida foi reprovada pelos mesmos partidos que aqui permitiram a sua viabilização: PS, CDS e PSD. O que temos com o atual modelo político é a castração centralizadora de Lisboa que limita a própria defesa dos interesses dos portugueses (e dos madeirenses e porto-santenses em particular), facto que torna o JPP um Partido diferenciado a nível nacional.

Claro que este posicionamento não nos confere uma visibilidade de escala como outros partidos têm e essa é uma consequência que temos de gerir. A estratégia até à data tem sido a de que o nosso crescimento se faça de forma coerente, sustentada e sem os sobressaltos que se vê em tantos outros partidos mas acredito que deverá ser este caminho a continuar. O que não significa que grupos concelhios sejam criados, aliás, como se verifica noutros Concelhos da RAM, nos Açores e em algumas localidades do Continente, mas lá está, sem as euforias de integrar todas as pessoas só para cumprir número e calendário.

Portanto, acredito que a estratégia tem de passar pelo reforço destes grupos noutras localidades, com a formalização das respetivas concelhias formado por pessoas que acreditem e que se revejam nos princípios e valores do JPP e na nossa matriz de trabalho e transportem esta nossa metodologia de proximidade, de fiscalização e de acompanhamento da ação governativa para o resto do País. Como muito se diz: “o caminho faz-se caminhando”.

FN-O JPP concorreu nas Regionais dos Açores a 4 de fevereiro e nas Legislativas Nacionais antecipadas de 10 de Março, ficou triste com a não eleição de um deputado (Filipe Sousa) para a Assembleia da República?

LP: Estava confiante na eleição do Filipe Sousa, é um facto. Contudo, tal não se veio a verificar o que, na minha opinião, mostrou que os madeirenses e porto-santenses votaram, acima de tudo, na eleição do primeiro-ministro mais do que na eleição de deputados para a AR. Os nomes de Pedro Nuno Santos, Luís Montenegro e, acima de tudo, André Ventura (verdadeiro vencedor destas eleições), foram aqueles que mobilizaram os eleitores da RAM às urnas. Para mim, perderam todos os madeirenses e porto-santenses com a não eleição de Filipe Sousa, sem dúvida, embora o número de eleitores que depositaram a sua confiança no JPP tenha aumentado, facto que acaba por corroborar aquela que tem sido a nossa estratégia de crescimento sustentado e não um crescimento de “tendências” pelo culto a uma personalidade.

FN: E para as Europeias? Já há alguma estratégia delineada?

LP: A intenção é que o JPP concorra às europeias. A estratégia está a ser trabalhada dentro de um quadro de incerteza onde se poderá colocar um cenário de eleições regionais antecipadas que poderá alterar a nossa dinâmica de trabalho e de prioridades pelo que, torna-se precoce abordar esta questão. (…)


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