Filipinas: Manila, uma cidade para exploradores, não turistas

Tenho por hábito repetir em algumas crónicas de viagem um “chavão”: o de que viajar empobrece os bolsos mas enriquece a alma. A Ásia é um continente fascinante e exótico, uma autêntica tentação para os que gostam de viajar. Tenho a “caderneta” daquele continente praticamente completa: faltam três ou quatro cromos para concluir.
Catedral de Manila

As Filipinas sempre estiveram na minha agenda. Mas foram por vários anos adiadas, optando por outros países, uma vez que o preço das viagens eram incomportáveis para os meus bolsos.

Programei uma visita no período de Páscoa, neste país com 80% de católicos e uma minoria de 5 por cento muçulmana. Objectivo; assistir ao ritual das crucificações naquele período da semana de Páscoa.
Mas, mais uma vez, as passagens nessa época (alta) atingem valores incomportáveis para satisfazer o meu desejo.

Na semana de Natal é habitual colocar no meu “sapatinho” um presente para o novo ano. A compra de uma viagem. Determinei: é agora ou nunca… Consultei os meus motores de busca em diversas rotas e tempos de escalas e fui “presenteado” com a possibilidade de viajar a partir de Lisboa na Etihad Airways, com escala em Abu Dhabi na ida e na vinda. Muito prolongadas, para cerca de 16 horas de viagem.
Mas viajei numa das companhias mais prestigiadas da aviação mundial a um preço acessível.

 

Casa de Manila
O meu sonho está a concretizar-se. Cheguei a Manila um dia depois de ter deixado Lisboa, com o fuso horário de oito horas a mais. Tudo foi  programado e levava a lição bem estudada. Manila é a principal porta de entrada e megalópole das Filipinas, que mistura traços ocidentais com orientais, áreas caóticas e organizadas que simplesmente não parecem fazer parte do mesmo destino.
Trata-se de um eixo pulsante de contrastes. Aqui reina a pobreza a par do luxo, do trânsito, sujidade, centros empresariais, modernidades. Não há praia nem água azul apesar de Manila estar numa ilha e ser rodeada pelo mesmo mar que banha outros destinos do arquipélago como El Nido, de que falaremos noutras crónicas.
Estátua do Rei de Espanha, Filipe II

 

O caótico trânsito matinal

Do aeroporto internacional Ninoy Aquino para o Hotel, um banho bem quente para retemperar as forças e dar cumprimento ao programa, uma vez que dois dias foram consumidos nos “céus e nos aeroportos”. O conta-quilómetros está ligado: siga Marote, digo a mim mesmo.
Igreja de Santo Agostinho
O coração da história de Manila é Intramuros: é nesta localização que se encontram as heranças da colonização espanhola. A Catedral de Manila, com detalhes gravados em pedra e vitrais de mosaicos, o forte Santiago, local das câmaras de torturas e masmorras, a Igreja de Santo Agostinho, onde todos os dias há casamentos em todos os horários, a Casa de Manila, com um pátio florido e móveis típicos filipinos.
Ao lado estão os jardins ornamentais do Parque Rizal, onde esta o Museu Nacional das Filipinas, que abriga a mais importante colecção artística, antropológica, arqueológica do país do período pré-histórico aos tempos modernos.

Seguiu-se uma caminhada pelo “calçadão”, virado para a Baía de Manila ao final da tarde. Um trânsito de enlouquecer, autocarros coloridos enfeitados, tuk tuks, triciclos parados nos congestionamentos, mas os filipinos,  durante essas paradas, trocam cumprimentos e sorrisos calorosos com os turistas.
A próxima reportagem será dedicada a Chinatown, templos budistas e mercado com cobras, pombos e sapos.

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