O Museu Etnográfico da Madeira abriu ao público “A LAPINHA DO CASEIRO” e, até 20 de janeiro, conta com a sua visita! São mais de 300 peças, esculpidas em madeira de cedro.
A Lapinha do Caseiro foi um dos mais célebres presépios da Ilha. O seu autor Francisco Ferreira, nascido na freguesia do Monte, herdou o ofício de carpinteiro do seu pai. Artista autodidata, cedo começou a talhar a madeira, esculpindo desde os 14 anos e tornou-se santeiro de profissão. Iniciou o presépio na sua juventude e nele trabalhou até morrer, em 1931, tinha então 82 anos.
Francisco Ferreira não tinha instrução, era a sua mulher e, mais tarde, a sua filha que lhe liam passagens do Antigo e do Novo Testamento. Assim se inspirava para melhor interpretar e executar os vários episódios bíblicos que ia introduzindo no seu Presépio, identificados por legendas semelhantes às que se podem ver na exposição, cujos termos se mantiveram como na versão original.
Em relação aos pastores, são figuras ingénuas ou caricatas que retratam a sociedade urbana e rural madeirense, espelhando lides e ofícios quotidianos, vivências locais, relacionadas sobretudo com a freguesia do Monte. A “sociedade elegante”, os tipos populares, vizinhos, amigos e o próprio Francisco Ferreira são figurantes únicos, testemunhos de existências perdidas, que desta forma conseguimos reencontrar. Todos os anos introduzia novas figuras para entusiasmo e assombro de todos e a tradição instala-se.
A Lapinha do Caseiro torna-se um local de romagem e devoção na quadra do Natal.
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