Ana, uma portuguesa comum, e a sua relação com a saúde

A Ana é uma portuguesa como todos nós: vive do seu trabalho, paga os seus impostos e confia(va) que o Governo saberá gerir esses seus impostos pagos para garantir os serviços públicos com que se compromete com os cidadãos. A Ana faz um esforço diário e mensal para cumprir com todas as suas obrigações, sejam elas fiscais, contributivas ou todas as outras despesas com que se comprometeu. Recentemente, a Ana teve um problema de saúde: uma deslocação de retina. Foi aí que a Ana começou a duvidar da real capacidade e competência do Governo para gerir os impostos que a muito custo a Ana paga todos os meses.

Quando a Ana começou a se aperceber dos sintomas na sua visão, consultou um médico especialista. Com o diagnóstico surgiu a informação que os seus problemas de visão prévios tornavam o caso mais complexo. Era, por isso, urgente proceder à operação que pudesse resolver o problema. A grande questão era o tempo que demoraria a conseguir vaga para essa operação no sistema público de saúde. Aquele sistema público que compete ao Governo gerir de forma eficiente garantindo aos cidadãos que os seus impostos e contribuições têm um sentido prático de existir. A Ana teve que escolher entre esperar pela sua vaga no sistema público de saúde e correr o risco de poder perder por completo a sua visão ou arranjar uma quantia significativa de dinheiro para pagar por uma operação que na verdade já tinha pago antes através dos seus impostos. A Ana optou por usar as suas poupanças para pagar essa cirurgia no privado e assim garantir que não perdia a sua visão e com isso continuaria a conseguir manter o seu trabalho, o seu sustento e a sua vida. Mas quantas Anas existirão por esse país fora que não têm essa capacidade financeira para o fazer e como ficarão as vidas de todas essas pessoas? E quanto custará ao Estado ficar com essas pessoas com alguma incapacidade para trabalhar para o resto da sua vida?

Esta experiência fez com que a Ana saiba hoje que as verdadeiras perguntas sobre saúde, ao contrário do que defende a esquerda política deste país, são: “tenho acesso ao tratamento adequado para os meus problemas de saúde? E esse tratamento adequado chegará a tempo e horas para realmente mitigar os riscos para a minha vida?”. Ao contrário de querer dar resposta a estas importantes perguntas, a esquerda política deste país continua a defender que a única pergunta importante a fazer sobre saúde é “quem é o dono do hospital?”. A Ana sabe hoje que, no momento de aflição, pouco ou nada lhe importa quem é o dono do hospital, que também não lhe importa quem é que gere esse hospital, o que realmente importa é ter o seu problema bem resolvido a tempo e horas. A esquerda continua a mostrar ao que vem quando acabando com parcerias público-privadas por esse país fora tornaram a resposta pública de saúde pior para o utente e não raras vezes mais caras para o erário público. São tantos os exemplos de hospitais que estão hoje muito piores depois de terminada a parceria público-privada para sua gestão do que estavam aquando dessa gestão privada e não raras vezes além de pior serviço prestado ao utente soma-se um custo mais caro para todos os contribuintes. A evidência empírica mostrou então que a esquerda ao contrário do que diz não defende quem mais precisa, pelo contrário, a esquerda com as suas teimosias ideológicas acaba por criar uma saúde para pobres e uma saúde para ricos, uma saúde para quem só consegue depender do sistema público e uma saúde para quem consegue pagar planos de saúde ou acesso a hospitais privados.

É nesse sentido que acredito que deve surgir sem medo o pragmatismo da direita em que acredito. A direita que não quer deixar ninguém para trás e que quer o mercado a funcionar fazendo com isso que a oferta seja a de melhor qualidade possível e ao preço mais baixo possível. É a direita que não tem medo de defender que compete ao Estado garantir que a Ana saiba que os seus impostos servirão para que quando um novo problema surgir ela terá o tratamento adequado e que esse tratamento será realizado no tempo certo. Que compete ao Estado garantir que se esse tratamento adequado não puder ser realizado em tempo útil no sector público esse tratamento será garantido nesse tempo útil no sector privado ou social e que não recairá sobre a Ana o ónus de pagar a falta de capacidade de resposta do sector público. Só assim se garantirá uma verdadeira universalidade do serviço de saúde, só assim se garantirá que a saúde é igual tanto para os mais ricos como para quem não tem as mesmas possibilidades financeiras. Porque para a Ana e para todos nós o que precisamos de saber é que todos temos acesso aos tratamentos adequados e em tempo útil seja onde for, seja em que hospital for e com o dono que for. Isto sim é defender o acesso à saúde e defender quem mais precisa. É defender que os impostos que todos pagamos servem para que exista uma real igualdade de oportunidades também na saúde e que combatemos um país que em todas as áreas é cada vez mais a duas velocidades: muito lenta e complicada para quem tem mais dificuldades económicas e com muitas mais oportunidades para quem tem mais capacidade económica.

 


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