“Na Rota da Urzela”: mostra no Museu Etnográfico da Madeira

Uma mostra intitulada “Na Rota da Urzela (plantas tintureiras)” será inaugurada no Museu Etnográfico da Madeira (MEM), espaço sob a tutela da Secretaria Regional de Turismo e Cultura, através da Direcção Regional da Cultura, amanhã, terça-feira, pelas 16h30. O governante com a pasta do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, marcará presença no evento.

Esta mostra surge no seguimento do projecto e mostra de Manuela Jardim, sobre os panos d’Obra da Guiné e Cabo Verde, iniciado em 2004, desenvolvido em vários temas e apresentado, em 2021, no Núcleo Histórico e Museológico – Torre do Capitão.

No Museu Etnográfico, a mesma apresentará um conjunto de obras (fragmentos) executadas em têxtil tingido, com tintureiras de diferentes continentes, refere um comunicado.

Sobre a mostra, e como escreve a artista plástica e pedagoga, Manuela Jardim: “As cores fazem parte do nosso dia a dia impregnadas de simbolismo e significado. Estão distribuídas na natureza inspirando-nos na hora da criação artística, permitindo que nos expressemos para além das palavras. Uma das muitas vantagens de trabalhar com plantas tintureiras é a possibilidade de produzir cores que misturadas entre si criam novas cores.”

“Com esta exposição, a criadora pretende  dar a conhecer as tintureiras que no século XVI, tal como a urzela, fizeram parte da rota dos Descobrimentos. Aí, numa feliz miscigenação de cores, cheiros e sabores, as civilizações se cruzaram, se detiveram e abriram as portas à harmonização de diferentes culturas”, acrescenta.

Ainda no âmbito desta exposição temporária, estão previstas duas actividades relacionadas.

No dia 9 de Agosto, a partir das 15 horas, será promovido um atelier de estampagem direcionado para crianças dos 6 aos 9 anos. Já no dia 10 de Agosto, entre as 10 e as 12 horas, os Serviços Educativos daquele Museu irão promover uma visita de exploração/Oficina sob o tema “À descoberta dos pigmentos naturais”, que será orientada pela bióloga Susana Fontinha.

Manuela Jardim nasceu na Guiné – Bissau, vive e trabalha em Lisboa. É Licenciada pela Universidade de Belas Artes de Lisboa em 1975. Frequentou cursos de Gravura, Têxteis e Decoração em Portugal e Serigrafia no Institut D´Education Populaire de Paris. Associada à sua atividade criativa de pintora e escultora, exerceu funções de docente em artes plásticas, no Museu Nacional de Etnologia de Lisboa de 2005 a 2015.

Integrou a equipa de coordenação portuguesa à Bienal dos Países do Mediterrâneo, na Grécia, 1986, Marselha em 1990. Participou regularmente em exposições coletivas e individuais desde 1980, quer em Portugal, quer no estrangeiro: Bruxelas (1992), Barcelona (1995), África do Sul (2006), S. Tomé e Príncipe (bienal 2008), Macau (2012 e 2016), Londres e Basileia, contemporary art fair (2018), AKaafair, Paris (2019). Está representada em coleções públicas e privadas.

Singular na obra de Manuela Jardim é o seu projecto sobre a Panaria de Cabo Verde e Guiné desenvolvido de 2002 a 2008 no Museu Nacional de Etnologia de Lisboa. A artista não só recupera a dimensão cultural dos panos, mas também a sua vivência estética e contemporânea, conclui a nota da Secretaria Regional do Turismo e Cultura.


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