O Bloco de Esquerda veio criticar o facto de, em uma década, aproximadamente o mesmo tempo de governação de Miguel Albuquerque, a Região ter alegadamente perdido 17 mil habitantes, quase 6,5% da sua população. Para os bloquistas, tal deve exigir aos madeirenses uma reflexão e o que se consagrará no programa eleitoral para as regionais deste ano.

“Sabemos que muitos destes 17 mil são jovens, muitos com habilitações e formação superior ou altamente qualificados. Foram embora para escapar da precariedade de sucessivos estágios ou programas de emprego ou contratos temporários (muitos em empresas de empresários de sucesso); para fugir de salários de miséria e para poder construir uma vida pessoal, profissional e familiar”, refere o BE.
“E o que as mães e os pais têm de perguntar a Miguel Albuquerque e ao PSD-M – em quase 5 décadas foi sempre o mesmo partido, portanto são os responsáveis – o que devem perguntar é: que modelo de desenvolvimento é este que perde a geração mais qualificada de sempre? ou que permite, senão incentiva, uma política de emprego baseada no estágio, no IAS e nos baixos salários? e até quando irão ver os seus filhos partir para poderem ter um futuro?”, questiona Dina Letra, coordenadora do BE.
“Portanto, o salário e a estabilidade laboral têm um peso forte na vida das pessoas e na tomada de decisões e é por isso que, para o Bloco de Esquerda, é tão importante uma revisão da legislação laboral que reverta tantas anomalias e atropelos à vida profissional e pessoal das trabalhadoras e dos trabalhadores”, refere-se.
O BE quer que o GR estipule um salário mínimo regional ou tabelas de IRS idênticas às dos Açores, que são bem mais favoráveis para quem trabalha, ou que estenda a todos o subsídio de insularidade de 2%.
“Sabemos também que tudo isto tem reflexo num outro dado extremamente relevante, e bem mais preocupante, que é o da forte quebra da natalidade na Região. Desde 2009, ou seja há 13 anos, que o saldo natural na RAM passou a ser negativo. E o que tem feito o Governo Regional quanto a isto, que medidas têm sido tomadas para reverter esta tendência?”, interrogam-se os bloquistas.
Para os mesmos, a resposta tem sido dada, todos os anos, há 13 anos, pelo orçamento regional do PSD-M: nenhuma medida, nada, zero. Pura e simplesmente ignora o grave problema demográfico que a Madeira enfrenta.
“Revelador de um modelo de desenvolvimento esgotado e de opções políticas erradas. De quem governa em bolha, com cartão laranja, dentro de um círculo de e para alguns privilegiados, e sem atender às reais necessidades das e dos madeirenses e portosantenses”, diagnostica o Bloco.
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