A arte é sempre uma resposta

A arte é uma forma que o ser humano criou para responder e expressar as emoções, a história, a cultura, através de valores estéticos, como a beleza, a harmonia, o equilibro, entre outros.

Todas a formas de arte, quando colocadas seriamente em prática, são sempre uma resposta para alguma coisa. Aliás, até quando não existem determinados registos ou conceitos artísticos, é sempre uma resposta, um sinal – neste caso, negativo – que algo não está bem. Mas quando a arte está viva, é sinal de que a sociedade está viva.

Temos que ter consciência que através da nossa participação ativa em projetos artísticos ou culturais – seja na produção, criação, mecenato ou fruição –, estamos a construir a nossa identidade coletiva. Daí, a importância cabal de projetarmos as artes nas nossas comunidades locais, dando-lhes maior visibilidade, através do papel dos artistas, criadores e empreendedores culturais.

É recorrente os artistas – ditos profissionais –, reclamarem e bem, por mais apoios públicos, para desenvolverem os seus projetos. Não sou contra essa contestação. Mas também há que não esquecer os apoios aos artistas – ditos amadores – que dão “o litro”, trabalhando com afinco, para manterem o mínimo de solidez e consistência dos projetos artísticos de valor, inseridos nas suas comunidades, por vezes afastadas dos grandes centros culturais.

Como se percebe, é uma grande responsabilidade que recai sobre os que atribuem os apoios, os que recebem os mesmos, e os que beneficiam destes recursos públicos. Por estas razões, há que monitorizar constantemente o bom uso dos dinheiros públicos no universo artístico-cultural. Os que mais recebem apoios ­ – alguns de várias fontes – devem ter também uma maior responsabilidade de ­ criação e apresentação dos projetos artísticos, junto das comunidades – e isso nem sempre acontece.

O apoio às artes deve assentar em critérios pré-estabelecidos para tornar o ato mais justo, equitativo e abrangente. Pois só assim é que se pode dar uma resposta capaz, tornando as estruturas sólidas e predispostas a apostarem na inovação artística e a encontrar condições e espaço para desenvolver a criatividade. A arte é uma área de responsabilidade partilhada, entre artistas, governos, privados e sociedade civil.

Temos que dar espaço à arte como ato criativo e estimulante, mesmo perante as maiores adversidades. A arte é sempre uma resposta para a inovação, para a mudança, para a rutura. Não podemos desresponsabilizarmo-nos de incentivar a vertente artística, pois a mesma deve ser vista, como resposta e contributo fundamental para termos um país mais frutífero e diversificado do ponto de vista cultural. Como escreveu o escritor inglês, T.S. Elliot, “a cultura pode mesmo ser descrita simplesmente como aquilo que torna a vida digna de ser vivida”.

A arte é uma forma de comunicação que questiona, interpela e desafia a realidade. Por isto, é que a arte tem também uma função social, capaz de reanimar as pessoas e ampliar os seus horizontes. Viva a plenitude da arte, porque a arte nutre a inteligência.