“NSU” no futebol da Madeira: um jogo há 49 anos

João Augusto
Os anos setenta do século passado foram de viragem nos objectivos do futebol madeirense, passado a competir de forma regular na escala nacional, depois de uma longa e dura batalha administrativa.
Ao conquistar o título de Campeão da Madeira na época de 72/73, o Clube Sport Marítimo garantiu o acesso à “liguilla”, disputada por cinco clubes, onde os dois primeiros garantem entrada na II Divisão Nacionall. Essa  “liguilla” não correu de feição ao Marítimo, ficou em terceiro com os mesmo pontos do segundo, não sendo apurado para a II Divisão.
Contudo o alargamento da II Divisão Nacional para 20 clubes, em 30 de agosto de 1973, possibilitou a repescagem do Marítimo para a II Divisão na época de 73/74, estreia em Leiria frente ao clube local, com derrota por 3-2.
A entrada na competição nacional regular estava conseguida, apesar das condições desiguais com as restantes equipas, onde o clube madeirense suportava as despesas de deslocação dos adversários com da arbitragem.
O novo quadro competitivo na Madeira, com a ausência do Marítimo, dá lugar ao nascimento do “NSU” que seria fusão dos clubes do concelho do Funchal (Nacional, Sporting da Madeira e União), que integravam a Divisão de Honra do Campeonato da Madeira, os quais não apresentavam condições para isoladamente poder vir a competir à escala nacional; depois de uma reunião das direções das três colectividades em 17 de agosto, nasce o “NSU”.
Este “NSU”, logicamente não era o automóvel de fabrico germânico, com grande sucesso nessa década, quer em vendas como na competição, onde na “Volta à Ilha” no presente “Rally Vinho Madeira” obteve resultados significativos.
A iniciativa dos três clubes do Funchal para competir à escala nacional, acabou por não vingar, resultando num único jogo na noite de 4 de outubro de 1973 no Estádio dos Barreiros, frente ao Oriental de Lisboa, treinado por Pedro Gomes, cujo resultado se saldou por um empate sem golos, jogo dirigido pelo árbitro Romão Ferreira.
Pelo “NSU”  jogaram: Franco, Gomes, Emanuel. Arnaldo, Rogério, Pestana, Pedro, Rui, Gonçalves, Fernando e Eduardo (capitão), sob o comando técnico de Luís Agrela, no onze inicial o maior número de jogadores eram do Sporting da Madeira (5), União (5) e Nacional (1)
Foi curta a vida “NSU” no futebol, ao contrário do homónimo com excelentes resultados na competição automobilística.
A fusão dos clubes para uma competição à escala nacional, foi travada pelo bairrismo entre os associados dos três clubes. Outras tentativas de fusões foram inviabilizadas mesmo antes de nascer.
Nesta passagem do Oriental de Lisboa pelo Funchal, antes de defrontar o  “NSU”, jogou a 2 de outubro frente ao Nacional vencendo por (5- 0).
Um agradecimento especial ao Rogério (Sporting da Madeira), pela cedência da foto. Na mesma, o capitão Eduardo, ostenta um galhardete a entregar ao Oriental, com os emblemas dos clubes (Nacional, Sporting da Madeira e União), as camisolas usadas foram brancas, vivos com as cores da cidade do Funchal (roxo e amarelo).
Na verdade, muda-se de mulher, de partido, mas de clube não…