Reportagem comércio tradicional: Loja Gonzalez aguenta retrosaria apesar das muitas dificuldades

Loja Gonzalez, Rua dos Ferreiros, n.º 30

O comércio tradicional e local é tido como uma referência na baixa da cidade do Funchal. São estabelecimentos que retratam uma proximidade e distinguem-se pelas suas especificidades. É o caso da Loja Gonzalez, localizada na Rua dos Ferreiros, n.º 30, que se dedica à venda de artigos de retrosaria.

Alguns dos artigos em exposição no estabelecimento

Há mais de 35 anos na família de Susana Torra, a loja em si conta com mais de 150 anos, disse-nos a responsável.

O negócio mantém-se com muita dificuldade, sobrevive “puxando a corda de um lado e outro, para aguentar”. Os clientes já não são mais os mesmos e Susana assume que, neste momento, “o perfil do cliente está a mudar um pouco”.

Antigamente, o estabelecimento era frequentemente procurado por “senhoras de idade, costureiras, mas atualmente é diferente.”, confidenciou a responsável pela Loja Gonzalez, explicando que esta mudança poderá estar relacionada “com a evolução que o mundo está a ter”, isto porque “já existem mais jovens na área da costura e mais estilistas”.

Muitas bordadeiras também recorriam à loja, no entanto, “já são velhinhas e os mais novos já não querem seguir o ramo [do bordado]”, conta Susana, frisando que “é muito difícil encontrar bordadeiras atualmente, têm um trabalho muito difícil, desgastante e mal pago”.

A “base” do estabelecimento sempre incidiu em linhas, fitas, rendas, agulhas, botões, ou seja, artigos próprios para retrosaria.

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Materiais de costura e bordado.
Interior da Loja Gonzalez, na seção das fitas e dos botões.

Contudo, a Loja Gonzalez tem procurado adaptar-se à nova realidade introduzindo novos produtos como “toalhas, lãs e artigos para bebé”, de maneira a atrair mais clientes.

Alguns artigos de cozinha e outros à venda na Loja Gonzalez

Susana Torra considera também que a Loja Gonzalez está “a perder muitos clientes por causa dos mendigos.”, exemplificando que “ainda ontem, uma cliente com uma certa idade esteve dentro da loja perto de meia hora para poder sair porque estava um mendigo à porta, à espera que ela saísse para pedir-lhe dinheiro. Nesta rua, as pessoas de idade têm medo. Fica o alerta para a situação”.