BE diz que, ao contrário do CDS, “tem coluna vertebral” e “não se vende”

O grupo municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Funchal veio responder às considerações recentes de Gonçalo Pimenta, recordando, “para refrescar a amnésia de alguns”, que o seu partido tomou, em 2013, a decisão de integrar uma coligação de partidos de esquerda, com o objectivo de derrubar o PSD, que, desde 1976, governava os destinos da cidade do Funchal.
“Décadas de prepotência e de abuso de poder absoluto, de compadrios e de falta de transparência, de agravar das desigualdades a vários níveis entre as zonas altas e as zonas baixas da cidade, entre ricos e pobres, de enganos e desvarios económicos e que culminou numa dívida descomunal de 100 milhões de euros”, recorda o BE, que diz, pela voz da coordenadora regional Dina Letra, orgulhar-se dessa decisão, tomada colectivamente.
“Estávamos cientes dos riscos que corríamos, mas não abdicámos dos nossos princípios, e participámos de uma solução governativa que foi capaz de mostrar às e aos funchalenses que existia uma alternativa, que era possível fazer-se diferente e fez-se efectivamente melhor. Nem tudo correu bem, é certo; nem sempre foi possível concretizar tudo que se pretendia, como se pretendia ou com a celeridade que a situação requeria; houve más decisões e algumas com as quais não concordámos, somos humildes para o reconhecer; e ficam sempre muitas coisas por fazer quando temos um projecto para a cidade do Funchal que altera o paradigma do que se fazia até então”, acrescenta o partido.
Mas Dina Letra considera que o Bloco trouxe “uma lufada de ar fresco democrático à cidade do Funchal, fizemos parte dessa história, da sua construção e da sua implantação, e temos muito orgulho nisso”.
“Algo que este CDS-PP, partido ex-democrata e ex-cristão, desconhece o que é, apesar de, em tempos, na sua história na ilha da Madeira, ter-se apresentado como alternativa credível, ter combatido este mesmo PSD com veemência, tanto na Câmara do Funchal como na Assembleia Regional”, recorda esta responsável partidária.
“Ao contrário deste CDS, o Bloco de Esquerda não se vende por lugares em qualquer Executivo ou em empresas públicas, sejam elas municipais ou regionais”, afirma o BE.
“Não contribuímos para aumentar a despesa nem o erário público em milhares de euros, com direcções regionais, cargos, tachos e tachinhos, nem abandonamos ou ludibriamos as e os funchalenses quando os eleitos pelo Bloco de Esquerda na coligação assumiram cargos de relevo na Assembleia Municipal, em 2014, ou na Câmara Municipal do Funchal, em 2020”, retruca o Bloco.
“Temos coluna vertebral, defendemos o interesse público e não os nossos interesses, e os princípios que norteiam a nossa orientação política, e que defendemos convictamente, são para a melhoria das condições de vida de toda a nossa população, de combate a todas as discriminações, de defesa dos direitos das e dos funchalenses, nas suas várias vertentes, perante a prepotência deste (des)governo PSD a quem o CDS se subjugou e vendeu, sem apelo nem agravo ou, quiçá, como tábua de salvação, de que este recente episódio na Câmara Municipal do Funchal é bem sintomático”, conclui o comunicado dos bloquistas.