Bloco de Esquerda indignado com a anunciada privatização do Lar da Bela Vista

foto arquivo

O Bloco de Esquerda/Madeira veio manifestar-se hoje contra a privatização do Lar da Bela Vista.

Os partidos PSD e CDS “deixaram há muito de governar para os madeirenses e porto-santenses e estão a vender a Madeira”, acusam os bloquistas; “abandonaram a social-democracia e a democracia cristã, os seus valores, e tudo passou a ser um negócio onde tudo é passível de ser vendido, onde não há nem colocam linhas vermelhas à ganância dos privados”.

“Em tempos venderam a orla costeira, agora estão a vender o nosso mar ao Pingo Doce e a destruir a biodiversidade marinha e, a médio prazo, a pôr em causa a subsistência dos nossos pescadores; estão a vender as nossas serras e a floresta Laurissilva e a destruir o nosso património natural, e com isto a potenciar o risco de incêndios e contribuir para o agravamento do problema da falta de água que é já uma realidade na nossa ilha, particularmente na agricultura”, aponta ainda o BE.

Para este partido, as forças políticas que sustentam o Governo Regional estão ainda “a vender as nossas áreas agrícolas e florestais, a habitação, à especulação imobiliária, ao alojamento local e aos milionários dos Vistos Gold”.

“Agora, pela calada do mês de Agosto, o último Conselho de Governo decidiu abrir o processo de concessão do Lar da Bela Vista e estão a vender os cuidados aos nossos idosos, às nossas mães, aos nossos pais e avós a mais um monopólio privado. Isto é inadmissível!”, insurge-se o Bloco.

O Bloco de Esquerda mostra-se, portanto, diametralmente contra a privatização do Lar da Bela Vista, o maior lar público da Região e numa área cheia de carências.

“Está contra este modelo de governo mercantilista do PSD/CDS, que está a vender o Estado Social e os serviços públicos essenciais de apoio à população. E é preciso dizer aos madeirenses e porto-santenses que há alternativa e que existe outro modelo de governação”, refere, num comunicado.

A RAM, diz o Bloco, tem uma população envelhecida, com muitas doenças crónicas, com poucos recursos financeiros e é preciso dar às famílias uma alternativa de cuidados dos seus idosos que não seja apenas o de deixá-los nas urgências do hospital, como muitas vezes é sugerido.

“Há uma carência enorme de lares e isto não pode ser mais um negócio. É uma responsabilidade do Governo Regional prestar assistência aos seus idosos e a quem já deu tanto à nossa terra”, indigna-se este partido de esquerda.

Pelo exposto, o BE-M defende uma rede pública de cuidados que reforce a oferta pública de lares e de centros de dia; que reforce a rede de apoio domiciliário e que apoie de facto os cuidadores informais e não lhes dê apenas esmolas, a que muitos nem sequer têm acesso, e que mantém tudo na mesma, sentencia.

“É ao Governo que compete assegurar essa rede pública de cuidados, de modo a que todos os cidadãos, e não apenas aqueles que têm dinheiro, tenham acesso, e onde as famílias possam deixar os seus familiares quando não têm forma de lhes prestar os cuidados necessários em casa”, acrescenta o BE.

“Já fomos uma referência nacional na área dos cuidados, infelizmente este governo PSD/CDS não tem feito qualquer investimento nos lares públicos, nem nos poucos existentes nem em nova oferta perante a imensa carência que existe e é a degradação a que se assiste e agora a tentativa de entrega a mais um monopólio privado”, queixa-se o partido, pela voz da coordenadora regional, Dina Letra.