Reportagem vindimas: viticultor prevê ligeira baixa na produção e apela a apoios por parte do Instituto do Vinho

Lino Pinto na sua plantação.

A freguesia do Estreito de Câmara de Lobos está fortemente associada às uvas e ao vinho. Grande parte das uvas que dão corpo ao Vinho da Madeira é cultivada nesta localidade. As vinhas preenchem os “poios” que vão colorindo a paisagem consoante as estações do ano.

Aproxima-se o mês de setembro, altura em que se faz a vindima, e o Funchal Notícias foi  conversar com Lino Pinto, um viticultor da Figueira de Lameiro, no Estreito, para perceber quais as suas expetativas em relação à produção de uva deste ano.

Plantação de vinha de Lino Pinto, localizada na Figueira de Lameiro, Estreito de Câmara de Lobos.

Casta “Tinta Negra”

Na sua exploração vitícola, com cerca de 8000 m², dedicada à uva “Tinta Negra”, uma casta “versátil” que faz os quatro tipos de Vinho da Madeira (seco, meio-seco, doce e meio-doce) e os vinhos de mesa Tranquilo, encontravam-se alguns trabalhadores a fazer a “desfolha”, um processo que consiste em retirar as folhas da vinha de modo a que a uva fique à mostra “para o último tratamento” e posterior “amadurecimento”, contou-nos o viticultor.

Uva “Tinta Negra”

Segundo Lino Pinto, a sua produção vai ser ligeiramente inferior à do ano passado, que foi muito boa. O viticultor afirmou que a produção de uva, em 2021, foi “atípica”, considerando o excedente, uma vez que as “Casas [comerciais] não conseguiram absorver a quantidade de uvas, principalmente a Tinta Negra”. Cerca de 2000 quilos de uvas foram para “fazer vinho para casa” no seu lagar, localizado no meio das plantações de vinha.

A sua produção rondas as 15 toneladas de uvas e, como tal, não pode “estar dependente só de uma casa”. Vende para 4 empresas: “Barbeito, Blandy, Justino’s e Borges”.

lagar lino pinto estreito
Lagar do viticultor Lino Pinto

Custo e problemas 

Apesar de produzir quantidades interessentes de uva, o viticultor admite algumas dificuldades: “Há uns anos para cá, temos tido custos elevados com a mão de obra, os insumos de guamês, produtos fitofármacos e o material está a ficar mais caro e este ano ainda mais.”

Lino Pinto acha que “da parte do Instituto [do Vinho, Artesanato e Bordado da Madeira] e das Casas deveria de haver um reconhecimento ao trabalho feito pelos viticultores”.

Para tal, sugere que se tente “arranjar uma maneira de compensar os viticultores para que não tenham prejuízos porque quando começo a podar em fevereiro/março, não sei o que vai dar de uvas, posso ter um bom ou mau ano e, mesmo tendo um mau ano, no ano a seguir, tenho de ter dinheiro para podar, amarrar e fazer a vinha”.

“Acho que é do interesse do Instituto e das Casas manter os vinhedos, tem de ser essa a prioridade máxima, e fazer com que não haja abandono”, alertou.

O viticultor mencionou também os vários problemas que enfrenta: a “mão-de-obra, que não há, a idade dos viticultores, que já é uma idade avançada, e o falecimento de alguns profissionais, que os filhos não querem continuar a trabalhar a vinha e há uma desfragmentação do terreno”.

Conselho de Lino Pinto

O viticultor do Estreito aproveitou a reportagem do FN para deixar um conselho: “Consumam produtos regionais, Vinho da Madeira, Vinho Tranquilo, além de serem de qualidade, são produzidos por madeirenses e eu sou da opinião que é melhor comprar os produtos de cá de modo a valorizar e defender o que é nosso”.

“As uvas da Madeira são de excelente qualidade e produtos de qualidade só podem dar origem a outros produtos de qualidade, é preciso saber trabalhá-los”, defendeu o nosso interlocutor.