Educação e desenvolvimento tecnológico estiveram em debate

Vários especialistas em educação defenderam, hoje, mais investimento no ensino superior para que haja um maior desenvolvimento económico e social na Região e no País. Inovação, pensamento crítico, criatividade e novas tecnologias foram algumas das soluções apontadas no primeiro ciclo de debates Jornadas Madeira 2022/23, promovidas pelo JM em parceria com o Parlamento madeirense, e que tiveram como tema o “futuro do ensino superior e as saídas profissionais”.

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira alertou para “a nova ordem mundial que está a nascer” e para as “profundas mudanças, na forma como vivemos, trabalhamos, produzimos e nos socializamos”, ditadas pela digitalização.

José Manuel Rodrigues disse ser preciso pensar a sociedade que queremos ter daqui a dez anos, que vai ser marcada pelo duplo envelhecimento da população (mais idosos e menos jovens). Pediu uma reflexão sobre a possibilidade de “aumentar as pensões e as reformas sem aumentar os impostos”, e sobre os “meios financeiros necessários para custear as crescentes despesas com a Saúde, com os novos tratamentos, altamente especializados”.

Rodrigues rogou ainda uma análise económica regional de modo a saber se é possível diversificar a atividade económica, além do turismo, para outros setores, nomeadamente nas áreas tecnológicas.

Solicitou ainda uma avaliação e soluções para a falta de mão de obra, para os cursos sem saídas profissionais e sobre o ensino que queremos ter no futuro.

Quanto ao Reitor da Universidade da Madeira, lembrou que “a educação representa para as sociedades um fator de desenvolvimento inquestionável”, sendo a prova disso os países que apostam mais na educação. “O aluno deve ser um ativo que a sociedade forma para substituir os atuais detentores de funções na sociedade”, vincando que para tal é preciso investimento. “Não há bom sistema educativo sem financiamento adequado”, afirmou Sílvio Fernandes.

“A nossa Região ganhará o desafio do futuro se conseguir criar e reter talento”, concluiu.

Já o ex-secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, começou por lembrar que o futuro do ensino superior terá de ser em função da gestão dos tempos de incerteza que vivemos. “O ensino superior é sem dúvida aquele que permite transformar os cidadãos e as sociedades”, afiançou. Por isso pediu uma avaliação do impacto das instituições do ensino superior no desenvolvimento da sociedade, da Região e do país.

João Casanova de Almeida alertou para a importância das novas tecnologias e para a mais valia da “partilha do ensino presencial com o ensino online”, aproveitando desta forma a experiência que a pandemia trouxe ao ensino, com a introdução das videoconferências como ferramenta de trabalho.

“Deveríamos privilegiar as novas tecnologias. Temos que olhar o utilitarismo da formação dos nossos alunos para o tecido empresarial, porque só assim é que podemos aumentar a produtividade. E aumentar a produtividade é determinante para o desenvolvimento económico, social e cultural do país”, alertando, no entanto, que o ensino superior não pode ter apenas uma visão utilitarista. “Ele tem um papel de secularizar o conhecimento. Não pode pelo facto de não haver, no imediato, no mercado de trabalho lugar para aqueles que se formam em filosofia, deixar de formar em filosofia, em literatura, nas artes e em todas formas culturais”, exemplificou, porque “esse é um património que passa de geração em geração. Precisamos que exista cada vez mais pensamento crítico”.

“O pensamento crítico, a inovação e a criatividade alicerçados nas novas tecnologias é aquilo que distingue os nossos alunos e essa deve ser a nossa aposta”, insistiu.

O secretário regional de Educação Ciência e Tecnologia explicou os números das colocações dos alunos do ensino superior. “Em 2021 70% dos alunos que concluíram no ensino secundário ingressaram no ensino superior, ou seja 25% a mais do que no início da década. Temos numa década uma recuperação extraordinária”, salientou Jorge Carvalho.

“É através do conhecimento e da formação que transformamos o futuro, e é através do conhecimento e da formação que podemos ter capacidade de resiliência que esse mesmo futuro nos traz”, disse o governante. “Só com uma boa preparação é que nós podemos responder às necessidades e aos desafios”, considerou.

E o presidente da Câmara de Câmara de Lobos diz que as soluções para os problemas do ensino superior não estão apenas no investimento. Pedro Coelho pediu um pacto de regime para que haja uma “melhor qualidade no ensino superior” para que “não se continue a perder os melhores quadros”, através da emigração.