Milhares rumaram à festa, mas a cereja era “pouca”

Festa da Cereja, 12 de junho de 2022. Foto: FN.

A produção de cereja, na Região Autónoma da Madeira (RAM), está associada à freguesia do Jardim da Serra, embora seja cultivada noutras localidades da ilha da Madeira (cerca de 5%). Trata-se de uma produção familiar, mas em alguns casos assume um cariz profissional, sendo um dos fatores essenciais de sustento (e/ou complemento financeiro) para muitas famílias. Ao longo dos últimos anos, a produção tem vindo a diminuir por fatores que são alheios aos produtores (pragas, doenças e condições climatéricas).

Após uma interrupção de dois anos, devido à pandemia, o Jardim da Serra voltou ontem a celebrar a cultura da cereja com uma festa dedicada ao fruto. Recorde-se que, a Festa da Cereja ocorreu, pela 1.ª vez, em 1954 por iniciativa do Dr. Castro Jorge, um médico, jornalista e político que residiu no Estreito de Câmara de Lobos, local onde exerceu a medicina. Desde então, a localidade tem vindo a assumir-se como o principal núcleo de produção de cereja da RAM.

Foram muitos os forasteiros que se deslocaram à “Terra da Cereja” nos dias 10, 11 e 12 de junho. A Rua das Corticeiras, a artéria onde ocorre a Festa, encheu-se de gente durante os três dias. Ontem, no último dia do evento, conversámos com Fernanda Paulo, uma comerciante que vendia cerejas no local. Dizia-nos, em jeito de balanço, que “o movimento tem sido um sucesso nos três dias”. Fernanda acredita que “nenhum comerciante se arrependeu, antes pelo contrário”. O FN testemunhou a azáfama da Festa, especialmente, no momento do cortejo etnográfico.

Momentos após a passagem do cortejo etnográfico. Foto: FN.

Contrastando com a multidão ali presente, as cerejas eram “poucas”. Ao FN, a comerciante contou o seu testemunho: “As cerejas deste ano são poucas e as poucas que temos não amadureceram ainda. Como vê, algumas ainda estão nas cerejeiras, estão verdes e não são em grandes quantidades”. Percebeu-se, portanto, que este ano, além da diminuição da produção, a fase final de maturação da cereja não ocorreu a tempo da Festa. Fernanda lamentou o facto: “Este ano, infelizmente, aconteceu de não termos as nossas cerejas para a nossa Festa, mas não deixamos de vender cerejas.”

Fernanda Paulo, uma comerciante presente na Festa. Foto: FN.
Fernanda Paulo, comerciante presente na Festa. Foto: FN

Venderam-se as “poucas” cerejas, mas, mais uma vez, o Jardim da Serra, através da Casa do Povo local que organiza a Festa da Cereja, contribuiu para a valorização da cultura da cereja e das tradições das suas gentes.

Nas imediações da Festa encontrámos esta cerejeira ainda em processo de amadurecimento. Foto: FN.