Viagens: rumo a antigos locais de passagem da Rota da Seda

Rui Marote
Caros leitores: finalmente, um cidadão do Mundo como eu, “preso” há demasiado tempo na ilha que amo, está de volta a fazer aquilo que gosta. A pandemia da Covid-19 complicou as viagens internacionais e obrigou a um “repouso”. Mas, conforme já afirmei, viajar enriquece a Alma, mesmo empobrecendo os bolsos temporariamente. Estou de partida, e o Senhor acompanha-me!
Costuma-ser dizer que o “caixão não tem gaveta” para levar bens materiais. E estou a caminho de nos próximos anos, ser chamado de octogenário. Há que aproveitar os momentos que a vida nos dá. E que melhor forma de o fazer do que vendo coisas que não vimos antes. Nos próximos vinte dias estarei nos caminhos da Rota da Seda. Farei chegar até vós alguns relatos desta aventura.
Segundo uma lenda, por volta do ano 3.600 a. C. o casulo de um insecto desconhecido caiu no chá da imperatriz Si Ling Chi, quando esta tomava chá no jardim do seu palácio. Com curiosidade sobre a textura delicada e macia daquele casulo, a imperatriz deu então inicio a uma corrida para descobrir aquilo que hoje conhecemos como bicho da seda.
Os chineses detiveram todo o conhecimento sobre a seda e suas origens por mais de três milénios, descobrindo formas de aperfeiçoar o tratamento do material e criar tecidos ainda mais delicados e valorizados.
Esta riqueza nada valia sem uma rota comercial que permitisse o envio para os quatro cantos do mundo, e assim surgiu a Rota da Seda, criada para exportar um dos bens mais preciosos da China na Antiguidade. Não gerou apenas impactos económicos a nível global: transformou também a visão que asiáticos e europeus tinham do mundo.
Os mais de 7000 km de extensão tornam a rota comercial uma das maiores do mundo por onde passaram riquezas histórias e pessoas que transportavam heranças de todos os cantos do globo.
Partia da histórica Xian (antiga Chang’An), na China, com os internacionalmente conhecidos guerreiros de terracota, passando pelos rincões mais distantes do Uzbequistão, onde estarei nos próximos dias. Procurarei levar aos leitores do FN um singelo relato das cidades Tashkent, Samarcanda, Bukhara e Khiva.
A caminho da Ásia Central, viajando a partir de Lisboa na Turkish Airlines, com  um percurso de 8h30, farei uma paragem em Istambul e terei chegada à capital Tashkent com mais um dia e com uma diferença horária de três horas. O som uzbeque é o nome da moeda com que terei de lidar nas próximas semanas: um euro equivale a 11,716.4
Não se sabe ao certo quando a Rota da Seda surgiu. Mas o seu declínio no século XV deu-se em consequência da era das navegações, quando Vasco da Gama partiu de Lisboa em busca de um caminho marítimo para as Índias. Talvez então Chineses não imaginassem o impacto.
Não espero participar em nenhuma caravana de camelos: seria exótico, mas isso foram outros tempos. Hoje em dia o roteiro continua a ser explorado, por motivos distintos como turismo e intercâmbio cultural entre diferentes povos. Assim inicio esta cruzada. Até já, Amigos…