Estepilha: taxas do Cabo Girão aprovadas em Assembleia Municipal foram anuladas por AJJ

foto visit Madeira
Rui Marote
Plagiando o meu antigo professor  Alfredo Ferreira de Nóbrega, que iniciava a aula exclamando: – Se a minha memória não me atraiçoam na pagina 124 dos Lusíadas, cântico III estrofe 118: “Que do sepulcro os homens desenterra,/Aconteceu da mísera e mesquinha/ Que depois de ser morta foi Rainha”.
Assim é o disco rígido do Estepilha, para situar-nos acerca de uma manchete dos últimos dias na imprensa regional. Pagar ou não pagar taxas em miradouros e veredas, por turistas e residentes.
Ora, era presidente  do concelho de Câmara de Lobos Gabriel Gregório Ornelas, meu ex-colega do colégio “Caroço”, que completava o 3º mandato em 1995 quando veio à baila o tema das taxas do Cabo Girão, aprovadas em Assembleia Municipal mas “anuladas” por Alberto João Jardim.
“Enquanto for Presidente do Governo”, exclamou, “não há taxas para ninguém”.
A ideia era colocar ordem naquele promontório, onde os casos de vandalismo se vinham arrastando, com o arremesso das pedras de cantaria para o calhau, com os vendedores ambulantes em “guerra”, sem casas de banho e com roubos.
A câmara tinha acabado de investir 19 mil contos em iluminação da escarpa e arredores. Uma lâmpada custava 1000 contos e vinha directamente da Philips da Holanda. A ideia do ex-funcionário notarial era serem os vendedores ambulantes responsáveis pelo espaço, e as taxas destinavam-se á manutenção. A ideia era copiar o que se passava com os nossos vizinhos de Canárias.
Recordo, numa das cimeiras Canárias-Madeira, visitámos Lanzarote. O miradouro El Rio, que tem uma vista grandiosa da Ilha Graciosa, a entrada era 200 pesetas para os estrangeiros e 20 pesetas para os locais. Os residentes têm um cartão de identificação emitido pelo governo das ilhas que permite até as acessibilidades com a península, pagando a tarifa de residente de uma só vez, não tendo de se deslocar de Herodes para Pilatos.
Aqui foi mencionada essa hipótese, mas os governantes do rectângulo dizem que é inconstitucional. Temos é o cartão de cidadão.
Consta que o presidente da Assembleia Municipal Dr. Jorge Faria, fez como Pilatos: encenou o gesto com uma garrafa vazia derramando água imaginária sobre as mãos… “Não tenho nada a ver com isto”
“Tudo isto vai cair em saco roto. E há municípios que não aceitam. No caso da Baía de Abra, os vendedores ambulantes têm uma casa de banho móvel, e cobram 50 cêntimos. Há dias em que a cobrança da casa de banho é superior às vendas do negócio. O mesmo se passa no Pico do Arieiro, que até tem caixa registadora.
Agora nas veredas, pagando ou não pagando, os caminhantes hão-de continuar a fazer chichi atrás de uma árvore ou para a levada. Tudo tem de ser pensado e não se esqueçam que os valores cobrados são declarados com IVA.
Estamos acostumados a dar tudo de borla e esse vício não é fácil de apagar. O mais certo é que isto fique tudo em águas de bacalhau. Miguel Albuquerque desenterrou este machado de guerra… “Aguenta Freitas”…