Delegação do BE/Madeira participa em Lisboa na conferência nacional do partido

Uma delegação constituída por cinco integrantes do Bloco de Esquerda/Madeira participa hoje em Lisboa na IV Conferência Nacional do BE.

Diz uma nota do partido que o próximo desafio eleitoral do mesmo será na Madeira. “Isto se o governo dos Açores não cair primeiro. Embora o governo do PSD de lá já tenha dado sinais de que quer governar a qualquer custo”.

“O desafio é grande e as dificuldades são muitas”, refere-se no texto, mas, com unidade de vontades e de acção, os bloquistas tudo farão para voltar a ter representação parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira.

“O domínio do PSD-M é quase absoluto; tem o PRR para distribuir pelos mesmos de sempre; a economia e os investimentos estão nas mãos de 4 ou 5 grupos económicos que cresceram na sombra do Governo regional e do erário público. São os nossos oligarcas. Também aqui em Portugal, na ilha da Madeira, temos oligarcas. E eles comem tudo! Eles comem tudo e não deixam nada”, denuncia o BE.

A Madeira, aponta-se, é a região do país onde há maior risco de pobreza, atinge quase 30% da população, isto apesar de milhares de milhões de euros de 6 quadros comunitários; é a região do país que perdeu mais gente,  de acordo com os últimos censos, e onde nasce menos gente.

“A precariedade, os salários baixos, a exploração quase escravatura que se vive em sectores como a hotelaria e a restauração, mesmo com o turismo a crescer a níveis de pré- pandemia, são um grave problema social”, diz o BE. “Estamos no vale tudo para maximizar o lucro ou recuperar rapidamente 1 ano de crise. Porque 2021 já foi de retoma e 2022 está a superar as previsões. O serviço regional de saúde definha há anos com a gritante falta de investimento público”, prossegue o comunicado.

“Afinal não é de um dia para o outro que se atingem mais de 100 mil consultas e actos médicos por cumprir”.

“Houve um forte investimento privado em saúde, com o beneplácito do Governo regional e com os médicos e pessoal técnico em debandada para o privado ou a caminho da emigração. Quem sofre por 1 consulta ou 1 exame no serviço público não tem folga salarial para seguros de saúde. Por isso tem de aguentar. Nem o novo hospital,  que custará qualquer coisa como 350 milhões de euros, que tanta tinta fez e fará correr, que o Governo PSD-M quis que fosse o maior e o mais caro – certamente para poder dizer que somos os melhores, nem o novo hospital trará a solução para a saúde na RAM. Porque faltam técnicos e recursos humanos”, refere o texto enviado às Redacções pela coordenadora do BE na Madeira, Dina Letra.

Perante todas as dificuldades da população, critica-se, mesmo assim, o Governo do PSD-M não utiliza o diferencial fiscal de 30% que lhe permitiria baixar as taxas de IVA e dar algum alívio directo às famílias. No entanto, fê-lo no IRC.

O BE “deverá assumir-se como alternativa a este modelo económico capitalista sanguessuga  e escravizante; de lutar contra todas injustiças e desigualdades; contra a democracia musculada que aqui se vive; contra a hegemonia de um partido que pretende calar a oposição e coarctar a nossa liberdade de expressão”.