Noite das Bruxas foi noite de vandalismo e alcoolismo de adolescentes

Rui Marote
A juventude saiu na noite de ontem para celebrar o “Halloween”, a “Noite das Bruxas”, um marco de diversão após muitas restrições nas discotecas e bares. Porém, quando a cabeça não tem juízo, os caixotes de lixo e outros equipamentos urbanos é que pagam. Descarregando as bebedeiras, pegam lume nas papeleiras. O cenário esta manhã à entrada do cais era lamentável. Presentes, dois carros de Polícia estacionados a dois metros desse vandalismo “velavam” as cinzas da destruição.
O FN foi impedido de fotografar. Os polícias pediram encarecidamente que não o fizesse, embora apresentasse a identificação. Disseram que o poderia fazer mais tarde. Entretanto, continuámos a caminhada até o final do cais, para assistir e fotografar a entrada do MSC Splendida. No regresso, um funcionário da CMF, dos serviços de limpeza, iniciava a remoção dos destroços. Nessa altura a Polícia já autorizou o registo da imagem…
Às 6h45, o movimento no calçadão da Avenida Sá Carneiro dava-nos uma falsa ideia de movimentação de chegada de passageiros ao Porto do Funchal. Afinal tratava-se de centenas de jovens que circulavam no sentido do centro da cidade, exibindo na testa “cornos de Satanás” e outros adornos, complementados, com uma aparência de elevado grau de alcoolismo.
Já na Praça CR7, não desvendámos nas redondezas qualquer agente da autoridade. A força musculada estava no cais, em segurança aos restos mortais das papeleiras, e a debater com os jornalistas o direito a fotografar assuntos de interesse público, num lugar público (!?)
Para nossa lástima, assistimos a uma cena nas redondezas da discoteca Vespas que tentaremos descrever fielmente:
Uma mãe foi recolher a filha à porta da discoteca. A mesma estava na companhia de dois jovens numa amena cavaqueira. A mãe disse-lhe: Filha, vamos…! Já vou!, retruca a jovem. A mãe insistiu duas ou três vezes e o retorno era sempre “Já vou”… A certa altura a mãe diz: “Ou vens ou ficas e já não entras em casa!” Os companheiros ripostaram ironicamente: “Podia ser pior!!!”
O pai, que estava ao volante, sai entretanto, e ajuda a mãe a trazer a filha para o carro como fosse uma detida pela Polícia. Enfim, uma cena destas é apenas uma entre muitas do género que ali já se passaram ao longo dos anos. Outras, indescritíveis, e datadas de hoje, foram as dos muitos vomitanços que ali ocorreram. Houve muita “carga” deitada para os cantos da rua…
Mesas do Rally Madeira Legend ocupadas por jovens e pelos seus copos.
O que nos chamou a atenção é que muitas das jovens aparentavam idades inferiores aos quinze anos e estavam “encharcadas” em álcool que consomem sem ter permissão. Onde está a fiscalização?
Enfim, uma noite de “trevas” em que os pais colaboram deixando as filhas adolescentes exibir indumentárias provocadoras e dando-lhes dinheiro para consumir na noite. A salvação da família, um bem precioso, deixou de existir desde há muito, quando os pais deixaram de ter pulso. Um diz não, o outro diz “deixa a rapariga ser livre!”…
Noutros tempos vendia-se no Bazar do Povo por 2 escudos e cinquenta centavos um “cipó” que servia para castigar. Hoje esse utensilio está banido e o Bazar do Povo, hoje chinês, vende cornos, caveiras e outros adornos para estas festas em “honra do diabo”. Talvez o jornalista seja um pouco bota de elástico, mas, enfim, custa a ver estas cenas logo de manhã…