Rui Marote
Aquilo que se constata é desolador no Pico da Torre, também conhecido como Pico da Cruz, em Câmara de Lobos. Trata-se de um miradouro privilegiado para observar o centro da localidade, a pitoresca baía, o promontório do Cabo Girão, o Estreito e mesmo parte da cidade do Funchal. Mas o espaço está votado à utilização como latrinas e para superstições tipo “macumba”.
Com uma altura de 261 metros , o local possui um cruzeiro, razão pelo qual se lhe dá o nome de Pico da Cruz. E tem sido notícia não pelos melhores motivos. Nos últimos anos, têm havido ataques e roubos aos visitantes, a várias horas do dia, por parte de delinquente. A PSP várias vezes ao dia efectua rondas no local, procurando afugentar os assaltantes. À noite, os que lá vão são “macumbeiros” que fazem da escadaria do cruzeiro local de estranhos rituais de velas queimadas e outros trabalhos de “feitiçaria”, brincando com Deus e jogando com o diabo…
Outros fazem uma miserável utilização do espaço como latrinas. O espaço mostra-se conspurcado, exibindo lixo no chão e resquícios de caricaratos actos de magia negra, com a cruz lá no alto. Não há um WC no lugar. Há apenas dois caixotes de lixo no miradouro sobranceiro a Câmara de Lobos.
Já na estrutura central daquele espaço onde se localiza o monumento religioso, não há um cesto de lixo que seja. E a provar que o espaço é visitado por muitos turistas, incluindo excursões vindas do Funchal, fomos encontrar no chão o autocolante recente de um navio de cruzeiro que saiu em “bolha”. Não são só os madeirenses a conspurcar.
Por falar em limpezas, recordemos a visita real de 21 de Março de 1985, quando o Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, marido da Rainha Elizabete II, na companhia da Princesa Alexandra, visitaram o Miradouro do Pico dos Barcelos. Nessa altura, o Governo Regional, na véspera, fez uma limpeza a pente fino do local, retirando lixo que deu para encher dois camiões…
36 anos decorridos os nossos locais paisagísticos continuam a enfermar da mesma doença. Cuidado: o turismo, a nossa galinha dos ovos de ouro, tem limites de tolerância… Convém zelar pelo que é nosso, pela sua limpeza e segurança.
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