Estepilha: o “Sumo Sacerdote” gosta de inaugurações

Rui Marote
Quem não esquece os três “dogmas”que durante trinta e oito anos foi tema de campanhas de eleições. FAZER OBRAS, FAZER INAUGURAÇÕES e GANHAR ELEIÇÕES… Estepilha, palavras do Senhor!!!
Tem o seu mérito! Se assim não fosse 90% das obras municipais da Madeira e Porto Santo ainda estavam por fazer. As câmaras não tinham capacidade para as executar, nem gabinetes técnicos e financeiramente nem dinheiro para mandar cantar um cego.
Na altura das inaugurações os “prefeitos” cortavam as fitas e cumprimentavam com o chapéu do governo, até fontenários. Muitas Juntas de Freguesia eram suportadas com o apoio do Governo Regional. Por exemplo, a cota 40, o Município do Funchal não entrou com um cêntimo. A balança do deve e do haver ficará para a História.
Quem não gosta de inaugurar e ter o nome numa placa a descerrar?! Hoje nada mudou. A nossa jóia da coroa, o templo manuelino da Sé, nos últimos anos tem sido contemplado pelos Monumentos Nacionais em diversas recuperações de cantarias, telhados, torre da Sé e agora os tectos mudéjares.
O templo nunca esteve encerrado, e os ofícios funcionavam normalmente, embora o aparato interior  de andaimes “assustasse” os visitantes. Agora a obra está concluída e os andaimes desmontados.
O tecto encontra-se neste momento coberto de um véu, impedindo a sua visualização. O “Sumo Sacerdote”, entretanto, anunciou no passado domingo o fim das obras e disse aos fiéis que o véu só será retirado no dia da inauguração, para ter melhor impacto. O Estepilha só conhece nas igrejas os santos tapados durante a Semana Santa… o que nos últimos anos deixou de acontecer.
O véu que cobria o templo rasgou-se quando Jesus morreu para mostrar que o caminho para o Santo dos Santos estava aberto para todas as pessoas, em todos os tempos, tanto a judeus quanto a gentios…
O povo está saudoso de festejos mas inaugurar com o chapéu dos outros!!! O Estepilha pensava que era coisa do passado. Nos discursos não faltará solicitar umas esmolinhas  para construção dos sanitários… Que assim seja…