José Manuel Rodrigues a favor de melhores salários na hotelaria; contra a subsidiodependência

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O presidente do parlamento regional salientou, na sua intervenção no Dia do Concelho de Câmara de Lobos, que as gentes do concelho “são um notável exemplo de trabalho e de tenacidade, de esforço e de engenho, de luta e de imaginação para sobreviver e retirar das entranhas da terra, e do oceano, o
seu sustento e as suas riquezas”.

Saudando os autarcas eleitos há duas semanas, desejou que tenham um mandato proveitoso na melhoria da qualidade de vida das populações. Do mesmo modo saudou os autarcas que terminam o seu mandato.

Ser autarca, considerou, “é das funções mais exigentes da Democracia, pelo trabalho e tempo despendido, muitas vezes sacrificando a vida pessoal, mas é também dos cargos mais gratificantes, porque resolve problemas imediatos das pessoas e responde aos anseios e aspirações das populações”.

“O Poder Local é uma das maiores realizações da nossa Democracia”, declarou. “Muitas vezes, quando os poderes central e regional falharam no exercício das suas competências, foram as Juntas e as Câmaras que, com poucos recursos, mas uma enorme vontade, supriram essa ausência do Estado e dos Governos e socorreram e ajudaram os cidadãos. Bem hajam por isso!”, elogiou.

Prosseguiu defendendo a necessidade de fortalecer e ampliar os poderes e as competências das autarquias locais, acompanhando essa descentralização dos
correspondentes meios financeiros.

“Os Municípios e as Freguesias não podem ser os parentes pobres desta nova fase da vida da Região e do país. As Câmaras e as Juntas devem ter acesso aos fundos do Programa de Recuperação e Resiliência, numa acção articulada com os Governos, procurando incentivar a retoma e o emprego, mas também respondendo às carências, ainda existentes, de condições básicas de vida, reduzindo a pobreza e as desigualdadessociais e lançando as bases de um novo modelo de desenvolvimento económico”, sustentou.

Por outro lado, José Manuel Rodrigues constatou que a base da economia de Câmara de Lobos assenta no trinómio Agricultura-Pescas-Turismo, que poucos
territórios detêm. Por isso, “há todas as condições para continuar a crescer.Uma maior oferta hoteleira representará, com certeza, um maior escoamento dos produtos agrícolas e uma mais valia para a pesca e seus derivados”.

Quanto ao Turismo, “pode ser realmente a grande alavanca para atrair mais investimento e criar novos empregos, sobretudo nos serviços, no comércio e na restauração”.

Mas deixou um alerta: “Importa, também, que a recuperação e o crescimento
económico, no turismo e serviços associados, sejam acompanhados de uma maior dignificação dos seus profissionais e de melhores salários, sob pena de se perderem bons activos para outros sectores de atividade ou para a emigração”.

“Neste âmbito, é ainda crucial rever as condições de atribuição de subsídios de segurança social e de outros apoios que, em certas circunstâncias, criam um indesejável clima de subsídiodependência, que distorce as regras do mercado de trabalho e fomenta injustiças entre trabalhadores e contribuintes”, considerou.