Sucedem-se as notas de pesar pela morte de Jorge Sampaio

Multiplicam-se as notas de pesar pelo falecimento do antigo presidente da República, Jorge Sampaio. O representante da República veio já manifestar publicamente o seu grande pesar pelo desaparecimento físico do Presidente “figura impar da nossa sociedade ao longo dos últimos 60 anos e um dos grandes obreiros da consolidação do nosso Estado de Direito democrático”.

“Permanente defensor da liberdade, da democracia e da participação cívica, sempre se bateu, enquanto Presidente da República e em todos os momentos da sua intervenção pública, pela defesa dos valores dos direitos humanos em Portugal e à escala mundial”, reza uma nota oriunda do Palácio de São Lourenço, cujo “inquilino”,  neste momento de dor, apresenta à família do Dr. Jorge Sampaio as suas sinceras condolências e curva-se, com respeito, à sua Memória.

Deixa ainda uma nota: “No campo dos Direitos Humanos, recordo com saudade, entre outras, a sua
acção na Comissão Europeia dos Direitos Humanos, onde deixou uma marca indelével, e  não esqueço o apoio que este meu grato amigo sempre me prodigalizou no meu próprio caminho naquela área”, refere Ireneu Barreto.

Por outro lado, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, tornou pública uma mensagem de profundo pesar pela ocorrência, lembrando que Jorge Sampaio foi um combatente pela Democracia, antes e depois do 25 de Abril, e um dos Políticos portugueses que melhor entendeu os portugueses das ilhas.

“Testemunho a sua acção decisiva para que fosse possível a revisão da Constituição de 2004, que aprofundou a Autonomia e deu novos poderes aos Parlamentos insulares. A Madeira e os Açores ficam a dever-lhe uma magistratura de grande influência a favor dos interesses das Regiões Autónomas”, sublinha o presidente do parlamento regional, para quem Portugal perde uma personalidade marcante da história da Democracia. Dirige, portanto, as mais sentidas condolências, em nome do povo da Madeira e do Porto Santo, à família do falecido.

O PS-M na pessoa do seu presidente, Paulo Cafôfo, expressou também já o seu mais profundo pesar pelo falecimento de Sampaio.

“Chefe de Estado durante dois mandatos, entre 1996 e 2006, Jorge Sampaio havia também assumido anteriormente os cargos de presidente da Câmara Municipal de Lisboa e de secretário-geral do PS.

O seu percurso político ficou marcado pelo seu espírito democrático e combativo, tendo desenvolvido uma constante actividade política e intelectual e participado nos movimentos de resistência à ditadura. Simultaneamente, defendeu sempre uma alternativa democrática de matriz socialista, aberta aos novos horizontes do pensamento político europeu”, lembram os socialistas madeirenses.

“O nome de Jorge Sampaio ficará para sempre ligado à história democrática do nosso País e às causas sociais. A sua morte representa, assim, uma perda inigualável para o nosso país, que vê partir um grande estadista que actuou sempre com coerência relativamente aos princípios em que acreditava”, considera o PS-M.

A presidência do Governo Regional emitiu também uma longa nota, na qual o seu presidente, Miguel Albuquerque, e restante executivo, vêm também expressar grande pesar.

“O Executivo madeirense endereça à família enlutada, neste momento de grande tristeza, os mais sinceros pêsames e associa-se à sua dor de um dos grandes nomes da Política e de Portugal dos últimos anos.

Jorge Sampaio faleceu hoje no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa. Tinha 81 anos. Foi, para além de Presidente da República, presidente da Câmara de Lisboa, secretário-geral do PS, alto representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações. Actualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios.

Nascido em Lisboa, a 18 de Setembro de 1939, Jorge Fernando Branco de Sampaio estudou nos liceus Passos Manuel e Pedro Nunes antes de se licenciar em Direito, na Universidade de Lisboa, em 1961. Exerceu advocacia, sobretudo na área das licenças e patentes.

Em 1962, nos protestos estudantis que se realizaram em Lisboa, foi um dos líderes do mesmo. A sua carreira ficou marcada ainda pela defesa de presos políticos.

Foi fundador do Movimento de Acção Revolucionária (MAR), e, já depois do 25 de Abril de 1974, fundaria o Movimento da Esquerda Socialista (MES). Seguir-se-ia a Intervenção Socialista e, em março de 1975, foi secretário de Estado da Cooperação Externa, no governo de Vasco Gonçalves. Em 1978 adere ao Partido Socialista.

Em 1979 seria eleito deputado por este último partido. Em 1989 chegaria a presidente da Câmara de Lisboa. Nesse ano, ainda assumiria a liderança do Partido Socialista, cargo que manteria até 1992, altura em que António Guterres passou a comanda os destinos socialistas.

Foi eleito Presidente da República em 1996, sendo reconduzido para um segundo mandato em 2001.

É este ilustre Português que o Governo Regional recorda, sublinhando os relevantes serviços por ele prestados em nome do País. Era homem de convicções fortes, mas que fazia do diálogo uma das suas principais armas e que não tinha medo de assumir as causas que considerava justas.

Aos seus familiares, amigos e a todos os socialistas, o PS-Madeira endereça as mais sentidas condolências”, reza o comunicado governamental.

Por seu lado, o autarca santacrusense, Filipe Sousa, refere: “Lamento profundamente a morte do Dr. Jorge Sampaio. Um homem de carácter e personalidade ímpares.

Na política, sempre foi um exemplo de seriedade e diálogo, devendo-se a ele muitas das conquistas do Portugal Democrático.

Relembro particularmente o percurso de autarca e que a ele se deve, ainda hoje, as grandes conquistas em termos de autonomia do poder local, que tantos, infelizmente, teimam em não respeitar.

Morreu um homem bom e um grande político, que sempre pautou a sua intervenção pública pelos valores que fazem da política uma causa nobre.

A Câmara Municipal de Santa Cruz manterá as bandeiras a meia haste por respeito e pela memória do Dr. Jorge Sampaio. À família, as minhas mais sentidas condolências”, transmite.

Também a Câmara Municipal do Funchal expressa, “em nome de todas e todos os funchalenses, profundos sentimentos pelo falecimento de Jorge Sampaio, ex-Chefe de Estado e ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e uma figura central na História da Democracia Portuguesa. A Autarquia vai, para o efeito, deliberar um voto de pesar pelo seu falecimento na próxima Reunião de Câmara, bem como colocar a bandeira nacional a meia-haste em todos os edifícios municipais, enquanto decorrer o luto nacional”, informa-se.

“Nascido em 1939, em Lisboa, e advogado de reconhecido mérito, Jorge Sampaio combateu a ditadura desde os seus tempos académicos e associativos, tendo estado intimamente ligado aos primórdios da Democracia em Portugal, logo desde Março de 1975, quando foi nomeado Secretário de Estado da Cooperação Externa do IV Governo Provisório. Nas eleições legislativas de 1979, foi, por sua vez, eleito deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista, tendo sido líder do Grupo Parlamentar do PS entre 1986 e 1987.

Em 1989, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, depois de ter conseguido formar uma candidatura multipartidária e com grande representação cívica e associativa. Marcou o desempenho dessas funções pela visão estratégica, por uma preocupação social fortemente inclusiva e pela modernização da cidade. Deixaria esse cargo em 1995, para se candidatar à Presidência da República, sendo eleito logo à primeira volta, e reeleito em 2001. A Presidência da República de Jorge Sampaio viria a carregar, em ambos os mandatos, a marca indelével da cultura humanista.

Após a Presidência da República, Jorge Sampaio continuou a pautar a sua vida pela defesa dos valores humanistas, da ética e da solidariedade, vindo a desempenhar vários cargos junto da Organização das Nações Unidas. A ONU reconheceria o trajecto mundial de Jorge Sampaio na defesa dos direitos humanos, ao escolhê-lo para ser um dos vencedores do Prémio Nelson Mandela em 2015, na primeira vez na história das Nações Unidas que o prémio foi atribuído.

Também Portugal soube expressar a Jorge Sampaio a sua imensa gratidão, patente na Ordem da Liberdade e na Ordem do Infante D. Henrique que lhe foram atribuídas e, ainda, nas inúmeras homenagens de cariz civil e espontâneo que lhe foram prestadas ao longo dos anos, como testemunho de afecto e reconhecimento. A CMF endereça aos seus familiares e amigos as mais sentidas condolências, procurando perpetuar a sua memória e o exemplo da sua luta incansável por um mundo melhor para todos”, conclui a Câmara funchalense.

Já o CDS-PP Madeira veio expressar profundo pesar pela morte de Jorge Sampaio.

“O antigo Presidente da República ficará na História como um combatente pela Liberdade e pela Democracia e um lutador incansável pelos Direitos Humanos.
A sua acção a favor do apoio à escolarização de refugiados em Portugal, é também um traço marcante da sua vida cívica”, salientam os centristas, que endereçam à sua família e amigos, as suas condolências.