Largo da Fonte, no Monte: “Não há sombra, mas também não há perigo”

Fotos: Rui Marote

“Não há sombra, mas também não há perigo”: a frase dita à reportagem do FN por um popular que se encontrava esta tarde nas imediações do Largo da Fonte, no Monte, traduz o sentimento geral dos habitantes locais. Nada menos do que 16 árvores foram cortadas pela Câmara Municipal do Funchal, cujo presidente, Miguel Gouveia, esteve hoje no local para fazer, perante a Imprensa, o ponto da situação. Tudo em nome da segurança, depois de mais um galho ter caído recentemente no local, felizmente sem causar vítimas.

“Ao cabo de (quase) duas semanas de trabalho aqui no Largo da Fonte, trabalhos coordenados pela Protecção Civil Municipal e que tinham como principal objectivo devolver a segurança a este espaço (…) após a queda de um galho no dia 1 de Agosto (…)”, foram, informou o edil, cortados 15 plátanos no Largo da Fonte e um castanheiro que se encontrava sobranceiro ao mesmo.

O trabalho, que visa acautelar a segurança no local, tem sido desenvolvido com equipas da CMF, com a Protecção Civil, com os Bombeiros Sapadores do Funchal, com o Parque Ecológico na remoção da matéria vegetal, e ainda com a colaboração de empresas para poder retirar os galhos e os troncos maiores (que, como se pode verificar nas imagens, são mesmo de grande dimensão).

Miguel Gouveia disse que há galhos que têm sido “cirurgicamente retirados”, com um peso superior a 3 toneladas. Actualmente, afirmou, o Largo da Fonte “é seguro”. O edil espera que se dilua, pois, a sensação de insegurança que, reconheceu, pesou sobre o local desde a tragédia que vitimou 13 pessoas há alguns anos.

Prevê-se a reabertura do local ao público na próxima semana, depois de terem sido removidos três plátanos e de se verificar, na encosta, as árvores que possam ainda constituir um risco, e intervencionando-as.

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Miguel Gouveia acrescenta que é preciso, depois destes cortes radicais, requalificar paisagisticamente o espaço, “icónico e romântico”. A CMF pretende consultar “três empresas ou especialistas” de arquitectura paisagística, para realizar essa requalificação. Será incluído na dita requalificação um memorial evocando as vítimas do fatídico acidente do dia 15 de Agosto de 2017.

Em breve será realizado um levantamento topográfico e realizado um concurso para a referida requalificação paisagística, procurando manter a identidade do espaço.

Neste momento, e na sequência da queda recente de mais um galho que felizmente não causou vítimas, está em curso um inquérito “feito por especialistas em arboricultura”, para apurar o que correu mal, uma vez que a CMF tentou até à última proteger o património arbóreo do Largo da Fonte.

Actualmente, para Miguel Gouveia, a prioridade está em “assegurar a segurança de pessoas e bens” e manter a identidade do lugar.

Há mais três plátanos que “serão intervencionados”, e ainda algumas árvores que possam representar “risco a nível de protecção civil”, disse o edil. “Se houver algum risco”, as árvores serão cortadas e replantadas outras.

“Estivemos muito tempo a analisar estas árvores, a procurar manter o património arbóreo, mas, quando nos é dado a escolher, temos sempre de colocar em primeiro lugar as vidas humanas”, diz agora o presidente da Câmara Municipal do Funchal.

Até recentemente, reconheceu, “estávamos a trabalhar sustentadamente com relatórios técnicos”, elaborados por especialistas, mas a queda recente de um galho, reconheceu, causou “um sentimento de insegurança generalizado” que obrigou a Câmara a “tomar outra perspectiva”.

Questionado se, agora, com os dados de que a CMF dispõe e que, naturalmente, só se tornariam disponíveis depois de cortadas as árvores, o FN procurou saber se, afinal, se justificava realmente um corte tão amplo. Miguel Gouveia não respondeu directamente: “Isso terá de ser analisado. As árvores estão todas a ser recolhidas e armazenadas. Quem agora quiser discutir sobre essa matéria, sobre se as árvores estavam ou não saudáveis, sobre se devia ou não ser feito, poderão neste momento fazê-lo” no Parque Ecológico do Funchal. O que é certo é que essas árvores “não irão mais causar qualquer tipo de risco para pessoas e bens”.

Questionado sobre os lamentos dos moradores da zona, de que foram necessários quatro anos para a CMF chegar à conclusão de que era necessário cortar as árvores, o edil referiu que “a decisão foi tomada na altura certa”.