Ordem para cortar as árvores no Monte; Mendonça aponta o dedo aos peritos da Câmara e à inércia do Tribunal Administrativo

Fotos António Mendonça.

Neste momento, o lema no Monte é “cortar”. Com a queda de um inesperado galho de uma árvore, ontem, no Largo da Fonte, a Câmara Municipal do Funchal ficou em estado de alerta e  procedeu ao corte da respetiva árvore e hoje já pretende cortar mais duas. Ao que tudo indica, à cautela, a ordem é para cortar as árvores. Gruas, funcionários, máquinas e fitas fazem mexer o pacto mas teimosamente perigoso Largo da Fonte.

António Mendonça, residente nas imediações do Largo da Fonte, tem sido, há quatro anos, a voz de denúncia da degradação das árvores, apontando sobretudo o dedo à Câmara Municipal do Funchal e à gestão negligente do processo. Aliás, apresentou uma ação contra a CMF no Tribunal Administrativo que corre trâmites.

Hoje, António Mendonça volta a dizer que pediu, no processo, o corte de quatro árvores com iminente perigo: uma delas que caiu ontem, outra à frente do Café Parque, uma sobranceira ao Café e outra sobre as escadarias da Igreja do Monte.  Este residente lembra que o corte ditado agora pela autarquia não é mal pensado. “Estas árvores não têm solo sustentável para enraizarem-se e caem de podres. Esta área resultou de um aterro, onde colocaram árvores em cima. O problema estrutural mantém-se, ou seja, não há raízes sólidas e tudo apodrece”.

Infelizmente, afirma António Mendonça, “as árvores caem e os nossos tribunais continuam a mandar fazer peritagens…” Diz que foi ouvido apens uma vez e mais nada. Os poderes públicos institucionais deviam insurgir-se com esta inércia dos tribunais administrativos.

Outra crítica é apontada à CMF. “Gastam-se milhões com peritos, ao longo de 3 anos, que garantem que tudo está seguro até acontecer o que se viu ontem. Não é preciso ser engenheiro para dizer que uma árvore está podre”.